O décimo primeiro mês da Marina

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É isso, gente. Esse já foi o último mesversário da Marina. Você acredita? Eu quase não consigo. Não fosse eu a pessoa a parir essa bebezoca de olhos bem atentos e abertos há 11 meses e alguns dias, eu acharia que era mentira, de tão rápido que tudo passou. Falo isso agora, porque na “punkeza” dos três primeiros meses eu achava bem devagar. Enfim, espaço e tempo são relativos. Para mães, são mais ainda.

O último mês foi cheio de novidades. Senti um desenvolvimento muito, muito grande. Muitas coisas mudaram. Ela parece até outra criança. Em trinta dias, ela deixou de ser aquele bebezinho para virar uma bebe/criança, cheia de personalidade e, pasmem, independência. Atribuo boa parte de tanta evolução à aquisição da habilidade de se locomover. Engatinhando ou andando apoiada nas coisas, ela consegue comunicar onde quer estar.

Vamos aos detalhes:

– Como disse acima, ela já se locomove muito bem pela casa – e pelo chão de onde estiver. Aprimorou a habilidade de engatinhar e treina passinhos apoiada em móveis e em pessoas. Fica em pé sozinha, sem apoio, e agacha sem cair quando cansa. Mas quando percebe que está em pé sozinha parece que rola um pânico e ela corre para encostar em algo ou em alguém.

– Um de seus esportes preferidos é mergulhar de cabeça da cama para o chão. Como é uma bebê dorminhoca, sempre acordo antes dela. Aí vou para a cozinha, aproveito para dar um jeito na casa ou fazer algum trabalho atrasado. De tempos em tempos vou lá olhar se ela ainda está dormindo. Mas nesses intervalos, não é raro ouvir um barulho e perceber que ela tentou descer da cama de cabeça e cataploft no chão. Às vezes chora, outras, não. Em uma das vezes que eu estava na cozinha e a deixei dormindo com o pai, comecei a ouvir a voz dela cada vez mais perto. Quando fui olhar, ela estava de pé no batente da porta do quarto, vindo na minha direção. Até hoje não entendi se ela caiu silenciosamente e levantou ou se conseguiu colocar em prática o que eu ensinei sobre descer de bundinha.

– Ela já tem seis dentinhos! Estão crescendo mais dois na parte de cima da boquinha.

– O cabelo ainda não é muito, mas cresceu mais e está clarinho.

– Ela dá risadas, gargalhadas e tosses forçadas quando quer. E ela sempre quer!

– Aprendeu a falar “abum”, que traduzimos como “água”. E como toma “abum” essa garota.

– Exceto pelo “abum”, “papapapapa” e “mamamama”, que a gente consegue traduzir, ela tem um dialeto próprio, formado por sílabas variadas, às vezes repetidas à exaustão, às vezes, misturadas numa salada de letrinhas.

– Continua comendo como um pequeno dragão. Feijão e laranja são favoritos (a absorção de ferro agradece a combinação!)

– Aprendeu a dar um tchau todo particular, que mais parece um sinal de “vai embora, vai”.

–  Ela também aprendeu a bater palmas. Quando alguém canta “Parabéns”, ela já logo começa. Na parte do “E para a Marina nada!”, ela levanta as duas mãozinhas para cima. Óin.

– Também aprendeu a abrir a boca e fazer tipo um “hãã”, tipo de susto, sabe?

– Uma das brincadeiras favoritas dela é se agarrar a mim, enquanto alguém (pai, vó, vô) vem até nós duas ameaçando “Vou pegar!”.

Enfim, é um aprendizado constante. Parece bobo e clichê, mas é verdade: cada coisinha faz nosso coração pular de alegria.

Agora estamos a mil com os preparativos do aniversário da pequena. Vai ser tudo bem simples e vamos fazer tudo em casa mesmo. Festa de criança como antigamente, como sanduíche de carne louca, bolo, brigadeiro e música da Xuxa. Depois dou mais detalhes e conto como foi.

 

Bagunça com o primo

Bagunça com o primo

 

#tatendocopa

#tatendocopa

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O décimo mês de Marina

Faltam três dias para ela completar onze meses, mas, mesmo assim, com toda a cara de pau do mundo, venho aqui escrever esse post retroativo. Muitas reviravoltas por aqui bagunçaram totalmente nossa vida. Mas tudo está sob controle. Vamos ao que interessa. Quais habilidades nossa pequena exploradora desenvolveu do nono para o décimo mês de vida? Vamos lá!

– Faltando uma semana para completar dez meses, ela começou a engatinhar por todos os cantos da casa. E eu que pensei que ela pularia essa fase porque ela só queria ficar de pé.#sabedenadainocente

– Continua comendo muito e surpreendendo a todos com seu apetite de leão. Já come de tudo e a variedade de seu cardápio é grande. Come o que a família estiver comendo. Só evitamos frituras e proibimos açúcar e leite de vaca, por enquanto.

– Quando acorda, senta na cama sozinha. Se ainda estou deitada, ela resmunga até me acordar. Se já levantei e estou em outro cômodo da casa, dá gritinhos e, quando demoro, chora para eu vir busca-la.

– A gengiva de cima ficou bem inchada. Coisa que antecipa uma novidade que estará no post do décimo primeiro mês. Tchan-tchan-tchan-tchan.

– Não pode ver outras crianças, que fica empolgadíssima para brincar. Quando elas são mais velhas, o sentimento não é recíproco. Ninguém dá bola para ela. Ô, dó!

– Não dorme quase nada durante o dia, mas dorme bem à noite e acorda tarde. Dorme na hora em que eu o papai dormimos, mas acorda bem depois. Aqui em casa, não rola aquela coisa de colocar a criança para dormir às 19h. Qual é a mágica? Não me incomoda. Mas será que faz mal para ela? Não parece, mas sei lá. Mamães, o que vocês acham?

– Ri e dá gargalhadas.

– Encara estranhos em qualquer lugar: no elevador, na padaria, no supermercado.

– Fica muito brava quando retiramos um objeto que ela está segurando ou quando é contrariada. Estica a boca e grita, tipo, nervosinha mesmo.

– Continua ligando menos para os brinquedos do que para embalagens, caixas de papelão e plásticos em geral.

– Continua mamando o tempo inteiro.

– Os cabelos deram uma crescida e estão cada vez mais clarinhos. Oi?

– Está com 73 cm e 8,3 kg, uma academia portátil para os meus braços.

O lado ruim de eu ter demorado tanto para escrever esse post, é que eu não lembro com tanta presteza o que aconteceu no período de 9 para 10 meses. Pode ser que tenha colocado aqui algumas coisas que já aconteceram dos 10 para os 11. Não sei como algumas mães sabem coisas do tipo “Eu estava com 5 meses e meio de gravidez quando fomos àquele aniversário” ou “Meu bebê tinha 6 meses 23 dias quando comeu cenoura pela primeira vez”. Esses posts é que me ajudam um pouco nisso, por isso, preciso tomar vergonha e ser mais pontual, mesmo que a vida esteja uma loucura. Do contrário, vou esquecer tudo, porque meu cérebro é uma maravilha, só que não.

O lado bom… Sim, tudo tem um lado positivo. Uma dose de Pollyana na vida não faz mal a ninguém, minha gente. O lado bom é que daqui a três dias temos um post novo sobre o desenvolvimento dessa mocinha, que já está batendo na porta do primeiro ano de vida. Dá para acreditar? Eu não consigo.

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+ O nono mês da Marina

Pão de queijo nutritivo (e gostoso!) com inhame

Quando vi essa receita no programa Socorro! Meu filho não come, comandado pela nutricionista Gabriela Kapim, no canal pago GNT, não botei muita fé. Mesmo assim, aquilo ficou no fundinho da minha cabeça. Hoje, resolvi colocar tudo à prova e fui até o supermercado com a cara, a coragem e a Marina no carrinho, para comprar inhame. Chegou o dia de testar se isso daria mesmo certo.

Ingredientes a postos, fui para a cozinha e arrisquei. Gente! E não é que deu certo? Ficou delicioso. Nem parecia que tinha dois inhames ali no meio.

Para quem não sabe, o inhame é um carboidrato do bem. A lista de benefícios desse tubérculo (a palavra é feia, mas é assim que são classificados o inhame, a batata-doce, a mandioca e afins) para a saúde é grande. Ele fortalece o sistema imunológico, melhora a qualidade do sangue, equilibra os hormônios (e por isso é um ótimo aliado para as mulheres na menopausa), reduz a absorção do colesterol… Pesquisas indicam que o alimento também ajuda na fertilidade e deve ser incluído no cardápio de quem está tentando engravidar. É uma ótima maneira de deixar o lanche da tarde ou o café da manhã mais nutritivo, sem perder a gostosura. Tá bom ou quer mais?

Gente, é sério: é facílimo de fazer e fica uma delícia. Sabe aquele pão de queijo com casquinha crocante e molinho por dentro? Então.

Rasgações de seda para o inhame à parte, vamos ao que interessa. A receita é a seguinte:

PÃO DE QUEIJO COM INHAME

Ingredientes

– 1 e 1/2 xícara de polvilho doce
– 1 xícara de polvilho azedo
– 50 g de queijo parmesão ralado (ok, eu coloquei um tiquinho a mais)
– 1/2 xícara de azeite (pode ser óleo também)
– 2 inhames
– sal a gosto

Modo de preparo

Coloque o inhame para cozinhar. Fiz isso rapidinho em uma panela de pressão, mas você pode fazer como preferir. Depois, amasse e deixe-o como um purê. Ligue o forno e deixe preaquecer (mais ou menos a 180 graus). Enquanto isso, misture os ingredientes secos em uma tigela. Depois, junte o azeite. Vai virar uma farofinha. Aos poucos, acrescente o inhame e mexa com as mãos, até virar uma massa homogênea. Faça bolinhas com a massa e distribua, com um espaço entre elas, pela forma, untada com um tiquinho de azeite. Aí, é só por no forno e deixar uns 40 minutos (ou até dourar – o tempo varia conforme o forno).

Rende uns 30 pães de queijo pequenos. Ah, a massa pode ser mantida crua por três dias na geladeira ou por quinze dias no freezer.

Marina e eu aprovamos! E você?

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Hoje eu vim falar de outra Marina

Sei que estou devendo o post de dez meses da minha Marina, mas o que tenho a dizer sobre essa outra Marina é mais urgente!

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Ela tem mais ou menos a mesma idade, só dois meses a menos. Ela tem o mesmo nome. Ela tem pais que a amam. Sua vida também está sendo contada por sua mãe, Luiza, na internet, mas por outro motivo, que não apenas as gracinhas de um bebê em desenvolvimento. Ela precisa de ajuda. Da sua ajuda.

Luiza, de Aracauju, teve uma gravidez complicada, com colo de útero aberto, cirurgia, repouso com as pernas para cima durante a segunda metade da gestação, parto prematuro com 32 semanas… Depois, Marina nasceu, ficou na UTI neonatal, pegou pneumonia. Um martírio só! Mas essa pequena guerreira, xará da nossa menina, superou tudo e teve alta com 19 dias de vida.

Acontece que ela acabou desenvolvendo uma doença mais complicada, chamada enterocolite necrosante. Por conta disso, passou por três operações complicadíssimas e perdeu a maior parte do intestino. Em consequência, ela desenvolveu a síndrome do intestino curto. Os pais tiveram que transferi-la para um hospital em São Paulo, onde estão desde dezembro.

Hoje, seu órgão tem 10% do tamanho normal. Por isso, ela não pode comer, porque não consegue digerir o alimento e fica com diarreia. A nutrição é feita pela sonda, que oferece, lentamente a comida, em gotas. O cateter está inserido em uma veia, que vai para o coração. Não é raro esse aparelho ser infectado. Além disso, o procedimento tem grandes chances de prejudicar o fígado, já sobrecarregado por conta dos medicamentes que Marina toma.

Agora, a solução para essa pequena, que aos oito meses de vida já sofre mais do que muita gente a vida inteira, é fazer um transplante de intestino, outro procedimento complicadíssimo. Se as filas para o transplante de qualquer órgão já são um drama, com o intestino, a coisa é ainda mais grave, já que o órgão é diferente, tem muitas bactérias.

A solução mais viável seria fazer a cirurgia nos Estados Unidos, país que tem relatos de cirurgias bem sucedidas. Mas tem um ENORME obstáculo aí. A fila de espera demora cerca de seis meses e a operação custa 800 mil dólares. OITOCENTOS MIL DÓLARES, eu disse. Isso sem contar os outros custos: internações, reinternações, imprevistos, medicamentos, estadia dos pais por lá (que deve durar pelo menos oito meses)… Imagina só!

E o médico americano já avisou os pais de Luiza que o procedimento é difícil. Mesmo que a família consiga o dinheiro, que a transferência da garotinha para os EUA seja bem-sucedida, que ela consiga esperar pelos seis meses até que chegue sua vez na fila do transplante, depois da cirurgia, ela terá que fazer um tratamento intenso e ficar com uma colostomia (aquela bolsinha plástica para onde vão as fezes) até que a barriga possa ser, finalmente, fechada.

Sentiu o drama? Eu senti.

Para a história dessa Marina ter um final (ou seria um começo?) feliz, todo mundo precisa se mobilizar e ajudar. Quer fazer sua colaboração? Doações podem ser destinadas à conta corrente 17468-8, agência 1603-9 do Banco do Brasil, em nome de Luiza Stella Correia Ferreira (CPF 976328995-53). 

Bora ajudar?

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Imagens realistas de um bebê dentro da barriga

Você, mamãe, com aquele barrigão de nove meses, não aguenta mais os desconfortos da gravidez e está sendo corroída pela ansiedade de conhecer a carinha do seu bebê. Acertei? É, sei bem como é isso. Passei por essa exata situação e nem faz tanto tempo. Uma campanha criada pela agência publicitária londrina Grey ajuda a matar a curiosidade e mostra o que seu pequenino pode estar fazendo dentro da sua barriga nesse instante. Detalhes como o movimento dos fios de cabelo, os gestos, o dedo na boca e o bocejo encantam e impressionam tanto, que quase nos enganam. Parece muito que é uma filmagem de verdade! Mas não é. É um vídeo criado com efeitos especiais – superbem feitos.

Ah, a propaganda é para a British Heart Foundation. No filme, a menininha explica suas condições genéticas, que podem levar seu coração a sofrer uma parada repentina, e pede doações para o instituto.

Dá uma olhada:

Homenagem errada para o Dia das Mães

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Coloco essa homenagem aqui dois dias depois da data certa. Logo, estou errada. Estou errada porque não consegui me organizar e encontrar um tempo para postar no blog antes ou pelo menos durante o domingo. Mas tudo bem, esse é apenas um dos erros que cometo repetidas vezes depois de ter me tornado mãe.

Se você também é mãe, você também está errada. Você está errada porque está aqui lendo posts no blog em vez de estar alimentando seu filho, brincando com ele, limpando a casa, fazendo aquele trabalho atrasado, postando no seu próprio blog ou depilando a virilha.

Você está errada porque seu filho chora demais.

Você está errada porque seu filho não chora. Só pode haver alguma coisa errada com ele.

Você está errada porque ainda amamenta seu bebê. E faz isso toda hora. Onde já se viu? Mamar tanto? Vai ficar mal acostumada essa criança. E grande desse jeito… Já está na hora de parar com isso ou vai ter problemas sexuais no futuro.

Você está errada porque dá mamadeira. Mãe que é mãe tem que dar leite do peito até pelo menos a criança completar dois anos.

Você está errada porque trabalha fora. Mãe tem que largar tudo e se dedicar só aos filhos.

Você está errada porque parou de trabalhar para ficar em casa, com seus filhos. Depois vai ficar fora do mercado, frustrada.

Você está errada porque sua casa é uma bagunça.

Você está errada porque só cuida da casa e quase não liga para as crianças.

Você está errada porque a criança está com frio. Não está vendo o vento? Bota um casaco a mais nesse menino.

Você está errada porque a criança está com calor. Nossa, que exagero esse cobertor!

Você está errada porque leva seu filho no carrinho, afinal, nessas ruas esburacadas, a criança fica pulando aí dentro, de um lado para o outro.

Você está errada porque carrega o bebê no sling. Não está apertado demais aí dentro?

Você está errada porque preferiu ter um parto natural. Isso é coisa de índio!

Você está errada porque pediu anestesia na hora H. Mãe tem que ter coragem, ser forte, aguentar tudo, oras.

Você está errada porque seu filho dorme com você na cama. Vai esmagar a criança. Ela vai ficar mal acostumada. Nunca mais vai querer dormir na cama dela. Quando estiver na faculdade, ainda vai pedir para dormir entre os pais. Você vai ver. E sua relação com o seu marido, então? Já era.

Você está errada porque seu filho dorme no berço. Bebê precisa dormir com os pais.

Você está errada porque se permite tomar uma cerveja ou uma taça de vinho de vez em quando. Mãe não pode fazer isso!

Você está errada porque nunca se diverte. Fica só focada nos filhos o tempo todo… Credo. Vai sufocar a criança.

Você está errada porque pediu para a sua mãe ficar com as crianças essa noite para ir ao cinema com seu marido. Que folga, viu?!

Você está errada por querer fazer tudo sozinha. O que tem de mal em pedir ajuda de vez em quando?

Você está errada da hora que acorda até a hora que vai dormir. Você está errada até mesmo se você não dorme. Sempre haverá olhares julgadores, observando tudo o que você faz e achando um defeito. Neste dia das mães (que já passou, eu sei, pode parar de me criticar), desejo a todas as mães que possam cuidar dos seus filhos da maneira que acharem que devem. Sei que pedir que não existam mais palpites, nem julgamentos, é pedir o impossível. Mas gostaria pelo menos de desejar que a gente consiga deixar a culpa de lado. Que a gente consiga filtrar os comentários que nos servem e deixar os que não servem entrarem por um ouvido e saírem pelo outro, sem dor, sem culpa, sem estresse e sem a busca incessante pela perfeição, que, sabemos, não existe. Mas saiba que, se você não conseguir fazer isso, está tudo bem. Será apenas mais um erro na sua lista imensa de falhas.

Um beijo a todas as mães que erram 24 horas por dia, como eu.

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Fotos: Pinterest

 

Quando o gênero vira limitador

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Acompanhem comigo: quando uma criança nasce, ela é um ser humano novinho em folha. Um livro em branco, prontinho para ser escrito até a página final, que ninguém sabe qual é. Por que raios o pai, a mãe, os avós, a escola, a indústria, a cultura e todas as outras referências adultas que a cercam deveriam reduzir as infinitas possibilidades que essa pessoa tem pela frente pela metade? Por que, se ela pode escolher entre 1 milhão de caminhos, cortar as opções para 500 mil? Você faria isso com o seu filho? Eu não gostaria de fazer com a minha e me policio sempre. Porém, tem muita gente que faz, sem nem se dar conta ou porque acredita que é certo mesmo. É possível que, às vezes, façamos e nem saibamos que estamos limitando as escolhas de nossas crianças, simplesmente pelo fato de elas terem nascido com um pênis ou com uma vagina.

Dentro das minhas próprias limitações, como já contei aqui, desejo para a Marina um mundo não só de cor de rosa, nem só de azul, mas um arco-íris completo, cheio de possibilidades.

Essas divisões começam desde o primeiro ultrassom em que se consegue descobrir o sexo e acompanham o ser humano por toda a vida, se ele não puder criar consciência para se libertar dessas amarras mais tarde. O vídeo abaixo, do The Representation Project, movimento americano que luta contra os estereótipos de gêneros, explica como essa história nunca tem um final feliz.

“Uma garota não é vista apenas pelos outros como um objeto. Ela aprende a ver a si mesma como um objeto”.

“Também há muito para se trabalhar com os garotos. Para eles, a força ainda é associada à dominação. Devemos redefinir a força, não como o poder sobre outro ser humano, mas força pela justiça e justiça significa igualdade, honestidade, trabalhar contra a pobreza, contra a violência. Isso é força!”

Assista ao vídeo e reflita você mesmo:

P.S.: Valeu, tia Rê, por me mandar o vídeo. Crédito dado!

 

O nono mês da Marina

A gente tarda, mas não falha. Ela já está com quase dez meses, mas venho aqui contar a evolução da nossa pequenina no último mês. A vida com home office está uma loucura (mas uma loucura boa) e sei que estou em falta com o blog. Perdão! Ainda tenho fé de que vou conseguir me organizar. Mas vamos ao que interessa. Marina já está há nove meses fora da barriga. Já completou a fase da extero-gestação. Mas mesmo assim vou “extero-gestá-la” até quando ela quiser!

– Nosso pacotinho já perdeu mais uma porção de roupas porque está esticando rápido demais. Não sei dizer quanto exatamente porque não conseguimos marcar pediatra para esse mês (#failBradescoSaúde), mas posso afirmar que ela está saudável, crescendo, brincando, engordando, sorrindo, feliz.

– Come demais essa garota. Agora que aprendeu o movimento de pinça, às vezes quer comer sozinha. Arroz, feijão, ervilha, tudo de grão em grão, mesmo que demore uma eternidade e mesmo que o chão fique uma sujeira depois. Isso é independência. E a gente deixa. E limpa depois. Fazer o quê? Acho que precisamos de um cachorro para ser um aspirador biológico. Já que os gatos preferem é brincar com os grãos que caem no chão, espalhando ainda mais.

– Vira, desvira, fica em quatro apoios, ensaia, balança para frente e para trás, mas nada de engatinhar.

– Se ela não quer saber de engatinhar, não dá para dizer o mesmo sobre sua nova habilidade: ficar em pé. Se apoia em mim, nos meus cabelos, no meu joelho, no Teo, na Laura… Tudo para conseguir seu objetivo de ficar em pé. E o medo dela cair? Mas fazer o que, né? Já aprendi que coração de mãe é feito para sofrer mesmo, desde cedo.

– Virou uma menina gritarina. Como grita. Dá gritinhos de felicidade, gritinhos de braveza, gritinhos mil.

– Tentei novamente coloca-la para dormir no berço, mas ela e o pai fazem complô agora. Os dois querem continuar na cama compartilhada. Então eu continuo dormindo bem na pontinha, quase caindo. Sou voto vencido. Fazer o quê?

– Os dois dentinhos da frente cresceram bastante e ainda não há sinal de outros. Se bem que de vez em quando tenho a impressão de que a gengiva superior está inchadinha.

– Agora que estamos juntas o dia inteiro, ela voltou a mamar o tempo todo. Mama de pouquinho em pouquinho. Então, está sempre no peito. Às vezes tenho dúvidas. Será que eu deveria começar a controlar um pouco os horários ou seguir na livre-demanda, mesmo que ela já esteja com nove meses e mandando ver nos sólidos? Mães mais experientes, HELP! O que fazer?

– Ela aprendeu a bater palmas um dia antes do meu aniversário. E ninguém me tira da cabeça que isso foi uma coisa cósmica. #maeastrologa

– Ela também manda beijos, principalmente quando está comendo. Acho que é a hora mais feliz do dia. Aí rola até um sentimento expressado. Rs, rs.

– Chora sem lágrimas (acho que é um pouquinho de safadeza já)

– Adora se olhar no espelho.

– Gosta de olhar dentro da minha boca. Ri bastante quando eu mordo seus dedinhos. Vocação para dentista?

– Mama e dorme amassando a própria orelha.

– Fala mamamama, nenenenenene, nainenainenaine e tatatatata. Desconfio que este último é para chamar o papai.

– Não gosta mais de tomar banho e chora toda vez. Mas também não gosta de dormir sem antes tomar banho. Vai entender?

– Acho que já sofre da ansiedade da separação, que acho que é o nome chique para aquela fase em que você não pode ir nem no banheiro sem o bebê abrir o berreiro.

Bom, por enquanto, é isso. E os seus bebês? Quais eram as proezas deles aos nove meses?

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Das separações

Hoje, dia 23 de abril, dia de São Jorge, completam-se exatos seis anos desde que meu sogro, o avô da Marina por parte de pai, faleceu. Eu já namorava o Luiz há uns três anos e foi um momento muito delicado. Eu nunca havia passado por nada parecido.

Recapitulando a história, eu não tinha, assim, muita intimidade com ele. Era eu lá e ele cá. Eu era tímida, tinha muita, muita vergonha. E ele também era um pouco fechado comigo. Era como se eu estivesse roubando o companheiro de domingo dele – aquele que assistia futebol com ele das 8h da manhã às 23h. No entanto, era engraçado, porque eu sentia que ele se preocupava comigo e eu também me preocupava com ele. De algum jeito, sem trocar mais do que meia dúzia de palavras, no meio de toda aquela falta de assunto, sabíamos que tínhamos algo em comum: nutríamos (e ainda nutrimos) um grande amor pela mesma pessoa.

Nesse aniversário de morte, fiquei me lembrando de como tudo foi difícil. Como foi um período negro para aquela família em que eu estava começando a entrar. E como eu não sabia o que fazer, nem como agir. Como cada um reagia à dor de um jeito diferente. Arrisco a dizer que foram os piores meses (ou até os piores anos) da vida do Luiz. Eu queria ajuda-lo, mas não tinha ideia de como. No desespero, até acabei atrapalhando. Nunca tinha visto ele daquele jeito e não consigo imaginar como é sentir um golpe desses. Cruel. Inesperado. Dolorido até dizer chega.

E também, por causa da mesma data, fiquei pensando em algo que sei que o Luiz deve pensar todos os dias: como seria se a Marina tivesse conhecido esse avô? Como ele seria com ela? Como ela seria com ele? O que eles poderiam fazer juntos? Quantas risadas, quantos sorrisos, quantos momentos seriam diferentes se esses caminhos tivessem se cruzado? Mas, por algum motivo desconhecido, isso não aconteceu e eles foram separados por um espaço de pouco mais de cinco anos.

Uma semana antes de saber que estava grávida, eu também perdi a minha avó paterna, outra figura inesquecível. Engraçada, cheia de vida e de personalidade, ela sempre ficava perguntando para mim, para a minha irmã e para os meus primos, quem seria o primeiro a dar um bisneto para ela. Fui eu, vó. E foi por pouco que você não a segurou nos braços. E agora você tem outro bisneto a caminho – não, gente, eu não estou grávida de novo: meu primo é que será pai em um mês, mais ou menos.

Isso sem falar nos meus avós maternos e em mais um bocado de gente boa que se foi, antes da Marina vir.

E tudo isso para dizer, em um pensamento meio sem sentido, meio sem resposta, que acho muito esquisito esse tempo. Por que alguns caminhos se cruzam e outros não? Por que essas pessoas, que queríamos tanto que a Marina conhecesse, já não estão mais aqui? Não tem explicação. Acho que é a vida e a morte são assim. Do mesmo jeito que lutamos por nascimentos encarados com naturalidade, deveríamos nos esforçar para ver a morte também como um processo normal. Mas é tão mais difícil…

Complicado pensar que essas pessoas, tão especiais para minha formação e para a formação do Luiz, não estarão aqui para ver nossa filha, o fruto da nossa união, crescer. Complicado pensar que ela vai conhecê-los somente pelas histórias (infinitas!) que contaremos a ela repetidas vezes e pelas fotografias. Complicado pensar que um dia ela também vai perguntar sobre a morte e também vai encara-la. Complicado pensar em como nós mesmos ainda a enfrentaremos por algumas ocasiões, até que chegue a nossa vez.

Mas quem disse que seria fácil?

Eu mudei para sempre... você não será esquecido.

Eu mudei para sempre… você não será esquecido.

O dia em que eu falhei

Sim. Tenho que admitir. Eu falhei. Não, essa não é a primeira vez que fracasso. Já errei e já me arrependi e tive que dar 800 passos para trás outras vezes, por conta de ações ou decisões erradas. Essa é apenas mais uma dessas ocasiões, mas é uma falha que mudou minha vida, que ficará diferente, pelo menos por um tempo.

Vocês se lembram de quando contei, lá atrás, que voltei a trabalhar após minha licença-maternidade? Lembram-se da logística absurda que fazíamos para deixar Marina com a vovó todos os dias? Lembram-se de como eu contei que meu coração ficava em pedacinhos e de que eu procurava o caminho para me encontrar como mãe que trabalha fora? Pois foi bem aí, nesse pontinho, que eu confesso: falhei. Não dei conta de ser uma mãe que trabalha fora.

Por mais que estivesse difícil, eu sempre pensei que um dia daria certo e que eu me acostumaria. No entanto, embora soubesse que Marina estava sob cuidados mais do que especiais (obrigada vovó, obrigada vovô!), eu me sentia muito mal em não poder participar mais, em não poder fazer do meu jeito, em não poder ver cada avanço, cada careta para cada alimento novo, o despontamento de cada dentinho… Sempre gostei do que fazia profissionalmente e estava em uma redação com a equipe dos sonhos. Tinha horário para entrar e para sair. Flexibilidade quando necessário. Quem é jornalista sabe o quanto é raro tudo isso nessa carreira. Mas não estava satisfeita. Tinha um pedacinho de mim que ficava separado por cerca de 10 horas por dia. Contando que dormimos umas 6 horas, gastamos mais umas duas nas tarefas domésticas, e usando o pouco de talento que, como profissional de humanas, me resta para fazer contas, concluo que sobravam apenas 6 horas com minha pequena. Um quarto do dia. Três meses no ano. Simplesmente, não era o suficiente.

Mas como eu podia mudar isso, uma vez que não poderia me dar ao luxo de abrir mão de minha renda, que faria uma falta danada em casa? Empreender? Sim! Mas isso é algo que demoraria a dar resultados e, de novo: infelizmente, não podia me dar ao luxo de esperar. Não agora. Eis que…

TCHAN, TCHAN, TCHAN. TCHAAAAAN!

Uma amiga queridíssima me chama para fazer um trabalho e me dá a notícia do dia, do ano, da vida: ele podia ser feito no esquema home-office. Fui lá conversar com ela e topei na hora!

E cá estou eu, trabalhando em casa, ao mesmo tempo em que acompanho cada passinho da minha cria.

Vou dizer uma coisa: não é fácil. A rotina é cansativa pra caramba. Uma dupla jornada simultânea, porque não tenho ninguém em casa durante o dia para me ajudar a cuidar dela, enquanto uma tarefa urgente aparece exigindo minha atenção no e-mail. Do ponto de vista do esforço, era muito mais fácil sentar na minha cadeirinha do escritório e fazer tudo o que tinha que fazer e só depois chegar em casa e me dedicar à Marina.

Agora, preciso acordar horas antes dela (o que significa madrugar), para fazer o grosso do trabalho sem interrupções. Então, quando ela acorda, exige minha atenção total. Quer mamar, quer ficar em pé, quer brincar, quer comer, quer água, quer mexer no computador e bagunçar todos os meus textos… Estou desenvolvendo talentos de um polvo-ninja para conseguir equilibrar tudo isso. Uma batalha por minuto. E ainda é preciso dar almoço, trocar fralda, escovar dente… Tudo o que uma criança exige diariamente.

Mas toda a exaustão compensa porque agora posso ficar com ela o tempo todo, mesmo que isso signifique equilibrar mil pratinhos. Mesmo que isso signifique dividir meu cérebro em vários pedaços diferentes. Mesmo que muitas vezes seja preciso digitar um texto com a mão direita e embalar bebê com a esquerda. Mesmo que só o sling me salve nas horas difíceis. Mesmo que isso signifique passar o dia cantando a musiquinha da Dona Aranha ou da Barata que diz que tem…

Só de não perder tempo no trânsito, de não precisar passar horas longe, de poder acompanhar a alimentação e a rotina da pequena… Vejo que tudo vale a pena.

A experiência é nova, ainda estou me adaptando (o que também explica minha ausência aqui do blog, viu, gente?), me organizando, mas acho que, aos poucos, tudo vai acontecendo da melhor maneira possível. Se eu sobreviver, posto aqui como fiz para conseguir me organizar no home-office, cuidando sozinha de uma bebê.

Foi um fracasso que tem feito eu me entender melhor como uma mãe que trabalha, sim, mas em casa. E vou fazer de tudo para não falhar nessa missão também.

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