E lá se vai um ano de Marina…

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Há 365 dias um líquido inesperado (e ao mesmo tempo muito esperado) molhava a calça do meu pijama antes de eu me deitar. Eu imaginava, mas não tinha dimensão de como a partir daquele minuto esquisito minha vida se transformaria completamente.

Naquele dia, tudo aconteceu muito rápido, pelo menos no tempo da minha cabeça, que era diferente do tempo real. Mas só fui descobrir isso depois.

Foi tudo melhor do que eu sonhava. Ela chegou no tempinho dela, em um lugar aconchegante e quieto, com toda a tranquilidade e respeito e veio de olhos abertos, desconfiados, direto para os meus braços. Daquele momento em diante, não nos desgrudamos mais.

Além das mudanças óbvias que a Marina trouxe para a minha vida, senti muitas outras que eu nunca esperei. Mudei de atitude, de opinião, de rotina, de sonho, de vontade, de conceito, de ideia… E quer saber? Me sinto bem melhor assim. E sei que ainda vou mudar muito nessa jornada longa, linda, estressante, feliz e cansativa que é a maternidade.

Aqueles olhos que me olharam desconfiados no quarto da casa de parto foram se acostumando a me ver pelo lado de fora e a encontrar conforto em mim. Confesso que no início eu sentia medo. Como eu ia fazer com aquele ser totalmente dependente da minha pessoa? Eu daria conta? Eu conseguiria fazer o melhor? Eu conseguiria sobreviver a tantas alterações e responsabilidades na minha vida? Depois, fomos nos habituando uma a outra, nos apegando cada vez mais, de maneiras diferentes. Ela cedeu algumas coisas – tipo, “ok, eu deixo você dormir por mais horas durante a noite se você prometer me deixar dormir pertinho de você e do papai”. E eu fui cedendo outras – do tipo “ok, vou abrir mão do meu lado profissional (pelo menos da maneira como eu o conhecia), se você me deixar acompanhar cada evolução, cada dente, cada momento, cada sorriso seu”. E assim caminhamos durante um ano inteirinho. E continuaremos caminhando por muitos e muitos anos juntinhas. Assim espero!

Aprendemos juntas: ela a viver do lado de fora e eu a olhar mais para dentro.

Com ela, aprendi a buscar informação para tentar fazer o melhor, ainda que nem sempre consiga, aprendi a não confiar cegamente em tradições ou diplomas, aprendi a me aprofundar, aprendi a desconfiar. Aprendi a errar e a aceitar meus erros, mas aprendi também a me cobrar. E isso é, sim, importante. Aprendi a confiar em mim, no meu corpo e na minha intuição. Aprendi a fazer cara de alface quando ouço aqueles conselhos que nunca pedi (e como ouço!)

Ouvi – e sei que ainda vou ouvir – muitos pitacos valiosos, muitos palpites desnecessários, muitos comentários inconvenientes e outros que parecem ser a luz no fim do túnel. E ainda tem muita coisa para vir. Sei que vou ficar cansada e querer um tempo para fazer a unha, ler uma revista ou sentar na minha cama com uma xícara de café com leite e olhar para o nada durante míseros cinco minutos, sem conseguir. Mas também sei que vou continuar olhando para a carinha dela por alguns segundos e sentir vontade de explodir em um choro de tanta alegria, daquele tipo que não cabe no peito.

Sei que ainda vou errar muito, acertar muito, que ela ainda vai aprender muito, me surpreender, acalmar meu coração, me ensinar… Esse ano foi apenas a primeira parte de um livro com histórias para preencher páginas e páginas.

O resumo de tudo é meio clichê: sim, eu conheci um amor que não sabia que existia. Ou mais clichê ainda: ganhei um coração que bate fora do peito. Ou mais ainda: não consigo nem lembrar direito como a gente vivia sem ela. Sinceramente? Não sei como a gente pode gostar tanto assim de uma pessoa que não tem nem 80 centímetros de altura e seis dentes na boca. Mas gente… Eu estou aqui nesse texto inteiro tentando explicar o inexplicável, algo que não dá para falar. Acho que não existem palavras ainda nessa nossa linda língua portuguesa para traduzir o tamanho desse sentimento e a intensidade dessa transformação. Ou eu é que não as conheço ou não tenho talento de poeta para conseguir escolher as expressões certas. O fato é que essa pequena garotinha é um presente que eu nunca pensei que fosse digna de receber e que hoje está aqui, fazendo nossa vida mais alegre do que um dia pensamos que ela teria o potencial para ser.

Aqueles olhos desconfiados que encontraram os meus há 365 dias são olhos cada vez mais doces, alertas, espertos e abertos para o mundo. Espero que esses olhos ainda possam ver muitas coisas boas. Muitas praias, muitas montanhas, muitas chuvas, muitas árvores, muitas flores teimosas nascendo no meio de muros de concreto, muitos passarinhos coloridos, muitas joaninhas que entram de surpresa pela janela e trazem boa sorte… Meu desejo, nesse aniversário, é que esses olhos sejam cada vez mais curiosos e que consigam ver amor no mundo. Que eles consigam enxergar as verdades, mas que também mostrem a ela a poesia que a vida pode ter. Que eles transmitam amor ao próximo. Que transmitam verdade. Que sejam, para usar um último clichê, a janela de sua alma novinha em folha, com muito para viver, aprender e aproveitar.

Marina, se um dia você estiver lendo esse texto, saiba que amo você. Obrigada por me ensinar o que é o amor. Obrigada por me ensinar tantas outras coisas. Obrigada por mudar minhas perspectivas. Obrigada por escolher nossa família. Gratidão ao universo pela oportunidade de viver ao seu lado. Parabéns por esse primeiro ano de vida, filha. Que venham muitas outras celebrações!

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5 opiniões sobre “E lá se vai um ano de Marina…

  1. Que lindo!!! MAs é verdade, um amor inexplicável que nos enche dos clichês mais clichês do mundo! Parabéns pra linda Marina, que ela continue abençoada, linda e cheia de saúde!

  2. Que lindo Vanessa!! É bem isso tudo mesmo que vc descreveu. Um amor incondicional e eterno!! Me emocionei muito com suas palavras e passou um filme na minha cabeça.
    Aproveite, curta intensamente sua filhotinha pq o tempo passa muito rápido!
    De um beijo grande nessa gostosonas por mim.
    Bjs.

  3. Chorei de emoção ao ler seu post do 1o ano de vida da Marina,pois me vi nele…vc conseguiu traduzir o que sinto pela minha pequena Valentina. Saúde,paz,luz pra sua filha e muita sabedoria pra vc!!! Bjs

    • Oi, Paula. Essas pequenas nos iluminam tanto, que fica até fácil ter inspiração para fazer texto bonito, viu? Parabéns pela sua pequena também e obrigada pela visita! Beijos!

  4. Pingback: O décimo segundo mês da Marina (mais conhecido como o mês em que ela completou um ano) | Casa, cozinha e fralda trocada

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