Pediatra, com licença, quem manda no meu bebê, sou eu!

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Nunca gostei muito de médicos. Eles dão bronca, tratam a gente como criança, mesmo quando já passamos dessa fase faz tempo, metem medo, fazem expressões enigmáticas enquanto lêem resultados de exames, dão péssimas notícias com zero sensibilidade… Ok, sei que não são todos e posso estar sendo injusta. Mas acho que 90% dos profissionais pelos menos pelos quais eu passei nunca me agradaram por um motivo ou por outro. Tem também aqueles que nunca resolvem o problema. E aqueles que dão remédios demais por nada.

Com a Marina, é a mesma coisa – ou pior, já que sou ainda mais exigente com as coisas dela. Nunca encontramos um pediatra em quem eu confiasse 100%. (Considerando aqui que só procuro médicos do convênio, porque já pagamos uma bala pelo plano de saúde. Não rola ficar desembolsando mais grana todo mês para a pessoa pesar, medir e me dar um cardápio com horários para alimentar a minha filha).

Aí, parei para refletir: por que será, meu Deus, que justo eu, que sou tão legal, tão boazinha, nunca repeti de ano na escola, nem roubei frutas no quintal do vizinho, nem comi doce antes do almoço (Tá, essa é mentira), não mereço achar um médico bacana para acompanhar o crescimento da minha pequenina? Por quê? Ó, céus! Ó, vida! Ó azar!

Então, na verdade, percebi que, sim, ainda bem que os médicos existem, e que é, sim, difícil chegar onde eles chegaram. Admiro os esforços, os estudos e toda a dedicação e credibilidade dos profissionais sérios. Sim, embora eu não conte com a colaboração do acaso para cruzar com um, sei que eles existem. Ricardo Chaves, Daniel Becker e Cacá estão aí para representar o grupo. É preciso muito estudo, muito empenho e tudo mais. E quando a criança está doente, é NECESSÁRIO recorrer à toda expertise de quem estudou – e muito! – para isso.

Porém, a ideia que eu quero defender aqui é a de que deve haver uma pequena-grande separação que diz qual é o limite dessa relação. Até onde vai o “mandar” do pediatra e o meu saber e a minha intuição no que diz respeito a minha filha, que eu conheço infinitamente melhor do que uma pessoa que só a vê uma vez por mês, durante quinze minutos?

É comum ouvir coisas tipo: “O pediatra deixou meu bebê tomar fórmula”, “O pediatra mandou inserir comida”, “O pediatra disse que meu filho precisa comer às 9h47 da manhã, mas ele está dormindo nesse exato minuto. Só acorda 10h. E agora?”, “O pediatra não deixou eu levar meu pequeno comigo para o parque.”, “O pediatra disse que meu filho deveria ter engordado 1.3 kg esse mês e não 1.2 kg. Vou precisar complementar a alimentação com leite artificial”, “O pediatra disse que meu bebê de cinco meses não precisa mais mamar no peito e que sou ‘mongol’ por continuar oferecendo”(JURO QUE EU OUVI ESSA. COM ESSAS PALAVRAS).

Gente, para o mundo que eu quero descer. Quem é essa pessoa que vai me dizer que quando meu bebê chora porque quer mamar eu não devo atendê-lo porque ele já grande demais para isso com nem seis meses de vida? Não. Simplesmente não concordo.

Acho que os médicos são, sim, fundamentais, e, apesar de algumas pessoas, tipo eu, terem preguiça acharem cansativo ir ao consultório todo mês para ouvir as mesmas coisas, até a criança completar um ano, é legal acompanhar, para saber se está tudo bem. Isso até tranquiliza os pais, em muitos casos (e desespera outros, quando o profissional faz o tipo exagerado). O que eu gostaria de colocar em pauta aqui é que é necessário discutir, pesquisar, argumentar, pesquisar, ouvir outros pais e, principalmente, OUVIR o seu filho (mesmo que ele ainda esteja longe de saber falar), antes de seguir cegamente qualquer orientação, só porque foi o pediatra que mandou.

Um exemplo – extremo, é claro – de como isso pode acabar mal, aconteceu esta semana, no interior de São Paulo. Uma mãe levou sua filhinha de 11 meses ao pediatra do posto de saúde porque ela estava com os olhos irritados e sabe o que levou para casa? Uma receita que indicava uma substância ÁCIDA usada originalmente para CURAR VERRUGAS para pingar nos olhos da criança. Ela só não aplicou porque achou o cheiro do medicamento estranho. Aí, ela voltou ao posto com a receita e a apresentou para outra médica, que, em vez de levar o caso adiante e fazer algo para que seu colega que agiu de forma, no mínimo, irresponsável fosse punido, simplesmente rasgou a receita, eliminando a prova. “Minha bebê poderia ter ficado cega”, disse Lucilene, a mãe da criança.

PAUSA PARA O CHOQUE!

Agora eu pergunto: se essa mãe tivesse com o desconfiômetro aguçado, o que teria acontecido? Já imaginou? Pois é. É isso que eu quero dizer. Não só coisas desse nível, mas… Precisamos confiar mais em nós mesmas, em nossos instintos, no que o nosso bom senso manda, em vez de adotar sempre uma postura passiva.

Antes que os chatos de plantão polemizem ainda mais o tema, acho que dá para entender a diferença entre fazer isso e ser negligente com a saúde da criança, certo? Ninguém conhece seu filho melhor do que a pessoa que está com ele o tempo todo (ou quando não está no trabalho) e acompanha todos os passos. E se você está aqui, lendo isso até o final, essa pessoa é você!

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Imagens: Pinterest e Vietnamart.com

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4 opiniões sobre “Pediatra, com licença, quem manda no meu bebê, sou eu!

  1. Oi Vance…..
    Eu entendo o seu sofrimento, pq infelizmente hoje em dia os médicos estão muito mecânicos.
    Mas eu tive muita sorte.
    Encontrei pessoas maravilhosas na minha vida que cuidaram dos meus filhos pensando nos deles. E posso te dizer o seguinte: a nossa intuição é necessária e imprescindível…..mas são eles que entendem a fisiologia de uma criança….são eles que sabem o que vai nutrir o corpinho frágil do seu bebê. É um trabalho conjunto. Cada cm que o seu bebê aumenta…..cada grama que ele engorda indica algo. É lógico que não podemos levar a ferro e fogo…..e se vc encontrar um bom médico como eu encontrei, verá que os parâmetros serão mais próximos aos teus.

    Agradeço a Dra Inez Izume e ao Dr.Joao Paulo…..dois fofos que me ajudaram com muito amor .
    Bicas

    • Oi, Marisa.

      Que bom que você encontrou pediatras bacanas para acompanhar seus bebezões. Rs, rs.

      Ah, sim, sei que é importante contar com um especialista quando necessário. O que eu acho é que tem muitas mães que se descabelam por coisas que às vezes nem tem tanta importância assim, em vez de seguirem seus instintos e sua intuição. E elas sofrem por isso, mas não questionam, não debatem, não pesquisam, não vão atrás da informação. Acho apenas que precisamos questionar mais, antes de seguir qualquer ordem de alguém que conhece muito menos nossos filhos do que nós mesmas. Na minha opinião, a voz do pediatra é importante, sim, mas não é a voz de Deus. Acho absurdo, por exemplo, um médico dizer que a criança de 4 ou 5 meses não precisa mais mamar, sendo que a recomendação da OMS (Organização Mundial de Saúde) é de aleitamento materno exclusivo até os 6 meses e continuado até 2 anos ou mais… Coisas assim, entende? Cada caso é um caso, mas é preciso ir a fundo nas questões, antes de obedecer cegamente. Mas acredito que o acompanhamento da criança por um profissional de saúde é necessário. Marina vai a (quase) todas as consultas. Rs.

      Beijos, beijos e obrigada pelo comentário. Adorei!

  2. Adorei o post, concordo plenamente, maes inteligentes e questionadoras estou com vcs! Os médicos acham q pq nao somos medicas somos ignorantes! Valeu mesmo, Bjossss

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