Um problema que atinge 9,8 entre 10 mães que trabalham

maternityleave

Tá, essa estatística eu acabei de inventar, mas o número real não deve ser muito diferente disso. Pelo menos pensando nas mães que eu conheço.

Ganhei um mês e meio a mais com a Marina após minha licença-maternidade (um mês de férias e duas semanas de lambuja) e NEM DE PERTO me senti pronta para deixar minha filha em casa, mesmo tendo a sorte de contar com ótimos avós para tomar conta dela. Ela fica bem. Não tenho dúvidas disso. EU é que não fico.

Tenho toda uma forma de pensar a maternidade – que muda um pouco todos os dias (que bom!) – mas não posso colocar totalmente em prática porque não sou eu a responsável pela criação da minha filha na maior parte dos dias dela. E dói concluir isso. Por mais que eu saiba que ela está sendo bem cuidada e bem educada, já que eu mesma fui criada por meus avós e só tenho ÓTIMAS lembranças da minha infância, eu queria estar lá.

Como escrevi aqui, acho que a contribuição que nós, pais, podemos dar para as gerações futuras é criar nossos filhos com muito, muito amor. Isso é tão importante que poderia mudar o mundo. Como disse no último post, acredito MESMO nas palavras do Dr. Charles Raisen, quando ele diz que “uma geração cheia de pais amorosos transformaria o cérebro da próxima geração e, com isso, o mundo”. Mas como fazer isso, se a vida moderna exige que equilibremos tantos pratinhos? Muitas de nós simplesmente não podem parar de trabalhar para cuidar dos filhos porque a renda delas ajuda a sustentar ou às vezes sustenta sozinha a família. No meu caso, Marina conta com avós amorosos e a conta ainda fecha, mas e quem não tem essa opção?

É o dilema da terceirização dos filhos. Problema meu, seu e de milhões de outras famílias mundo afora.

Todos os dias me vejo na batalha interna do jogar tudo para o alto e acompanhar todos os momentos do dia a dia da minha filha ou seguir firme equilibrando os pratinhos da mãe que trabalha fora, para tentar garantir mais conforto para ela e para nossa família. Sério. De manhã eu tenho certeza de que está tudo bem e que a vida está tranquila assim. Afinal, várias mães passam por isso e sobrevivem. Eu preciso exercer uma profissão para me sentir eu. À tarde, já decidi que vou parar. Não aguento mais trânsito, não aguento mais computador, não aguento mais nada. Quero só ficar com ela. Penso no que vou dizer para todos. Penso que essa mãe que trabalha não sou eu, de verdade. Horas depois, me conformo e acho que as coisas estão indo bem como estão e que vai dar tudo certo.

Como é que eu vou ajudar a mudar o mundo se nem eu mesma consigo ter certeza de qual é o caminho certo para mim? A única certeza que eu tenho é a de que, se eu pudesse, me dedicaria muito mais à minha filha.

As pessoas costumam me dizer para ter calma, que é assim mesmo, que eu vou me acostumar. Mas eu simplesmente não me acostumo nunca.

E eu não estou sozinha nessa. Prova disso é o documentário Com licença, que discute os conflitos entre maternidade e carreira. A ideia partiu de Bia Siqueira e Gui Abrunhosa, pais de Bel e Maria. O filme de 70 minutos está em uma campanha de crowdfunding para reunir a verba necessária para conclusão e lançamento. Assista ao trailer abaixo. Duvido você, mãe, não se emocionar e não ficar com uma vontadinha de assistir ao filme completo, como aconteceu comigo. “Não, esse não é um problema apenas de quem quer ter filhos. Precisamos compreender a importância desse momento: a chegada de um novo ser humano ao mundo. Precisamos (re)conhecer a importância dos primeiros anos de vida, tão fundamentais na construção emocional”, diz a autora. Quem discorda?

Foto: Pinterest

Anúncios

4 opiniões sobre “Um problema que atinge 9,8 entre 10 mães que trabalham

  1. Obrigada pelo relato sincero e verdadeiro Vanessa. Essa discussão precisa existir com força, e nossas crianças não esperam.
    Obrigada pela divulgação também, esperamos conseguir atingir a meta!!!
    Beijos, Bia 🙂

    • E como precisa, Bia. Fiquei muito, muito, muito feliz quando vi o trailer do documentário. O assunto tem que ir para a tela mesmo! Vamos conseguir atingir a meta. Torcendo! Beijos!

  2. OI Vanessa, adorei o trailler e o foco de ser uma questão de toda a sociedade. A mãe cuidar do filho nos primeiros anos de vida é ação que vai beneficiar a todos. Muitos países na Europa pensam assim. Como é o governo que custeia a educação e a saúde ele entende que é melhor (e mais barato) dar uma licença maternidade maior , pois assim os custos com esse cidadão serão menores do fututro, além dele ter muito mais possibilidade de dar retorno pra a sociedade.
    Ah, e cinco dias de licença paternidade é brincadeira, né? Quase uma piada.
    beijos
    Chris
    Inventando com a Mamãe
    #amigacomenta

  3. Esse é um assunto muito importante. Cada uma sabe das suas necessidades, mas creio que a maioria concorde que a presença materna e, se possível, do pai junto, quando possível, é benéfica para a criança e para todos, como citou a Chris acima. É uma discussão que tem que ser levantada a todo momento e, enquanto o Governo não melhora nossa situação, cabe a nós negociarmos e adaptarmos, dentro do possível, nossas vidas para podermos viver nossa maternidade com plenitude.

    Beijos!!!
    Cris Eu, eu mesma e a outra…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s