Cadê o ócio que estava aqui?

preguica

Gosto de passear, amo jantar fora, adoro me reunir com amigos e familiares e acho que viajar é uma delícia. Lembro de sempre cutucar o namorado/marido/juntado/namorido/amigado (“amigado” era uma palavra constante no vocabulário da minha avó) – ou seja lá qual for a classificação dele ou do nosso relacionamento – dizendo que ele nunca queria fazer nada, que só gostava de ficar em casa, que o tempo ia passar, que a gente ia ficar velho e que não íamos mais poder fazer nada e que morreríamos de arrependimento pelos finais de semana passados no sofá, em vez de ir para casa de praia com amigos, festas, baladas, bares, etc.

Porém, com a loucura que nossa vida se tornou depois do fim da minha licença-maternidade, sinto muita, muita falta dos tempos de sofá. Ou o tempo passou muito rápido e nós chegamos bem antes do que eu esperava na fase que eu previa e temia, de não poder sair nunca mais, ou, ele sempre esteve certo. Eu é que não sabia.

A semana inteira é mais ou menos assim: o despertador tocou, levanta, é seis e meia, corre daqui, corre dali, leva a Marina, busca a Marina, pega trânsito, vou de ônibus, estacionamento, passa no supermercado, prepara o jantar, toma banho, dá banho, tira leite, amamenta e pufff… Nossa rotina (inclusive a da pequena) acaba lá pela meia-noite em dias normais. Me julguem por deixar uma criança dormir tão tarde.

No fim de semana, por incrível que pareça, a correria continua. Almoça na casa de fulano, marcamos com sicrano, festinha de aniversário da filhinha do beltrano, ou então arrumamos tudo e vamos para a praia, ver a outra vó… Quando vai ver, já estamos ouvindo aquela musiquinha agoniante do Fantástico, enquanto preparamos a roupa para vestir na segunda-feira de manhã. Isso quando não acontece coisa pior.

Todo esse meu mimimi – sei que, guardadas as particularidades de cada família, a aceleração da vida acontece para mim e para outros 99,9% das mães que trabalham fora (e para as que não trabalham também, de um jeito diferente!) – é para dizer que eu sinto muito falta de curtir pura e simplesmente a companhia de marido e filha durante um fim de semana inteiro. Unzinho que seja. No sofá, na piscina do prédio, na mesa da sala, jogando conversa fora… Ou até fazer alguma coisa, se der na telha, mas sem compromisso, sem combinar, sem marcar hora e data. Coisas assim, aparentemente tão simples, e das quais eu fugia como o diabo foge da cruz há poucos anos, me parecem uma utopia agora. Sabe? Uma coisa sem relógio, sem compromisso com ninguém, fazendo só o que der na telha? Lembro de sempre pensar nisso, depois do momento musiquinha-do-Fantástico, quando já estou morta com farofa, com a perspectiva da semana inteira pela frente, e prometer para mim mesma que no fim de semana que vem vai ser assim. Mas aí, no minuto seguinte, já lembro: “Ah, não dá. Sábado que vem é dia 15, o dia do churrasco do ___________”. (Preencha a lacuna com o nome de qualquer amigo que faça uma comemoração de aniversário ao qual você não possa faltar, porque seria muita falta de consideração).

Ao despejar tudo isso, parece até que sou uma pessoa superbadalada e popular. Mas não. Não sou e não é isso o que eu quero dizer. Pelo contrário. Fico imaginando como é que as pessoas realmente superpopulares fazem para conciliar a superpopularidade com a vida de mãe. Meus votos e boa sorte para elas.

O que eu quero dizer é que estabeleço aqui uma meta para mim mesma e para minha família (se os outros dois membros dela toparem, é claro): passar um fim de semana sem nada para fazer. Quando eu conseguir, volto aqui para contar. Mas só na segunda-feira, tá?

Foto: Pinterest

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