Desabafo: culpa e tristeza dentro de uma lata de leite em pó

sadbabyDesde que me propus a escrever meu cotidiano como mãe de primeira viagem nesse blog, só tenho tido boas histórias para contar: Marina é uma menina linda,  saudável, tranquila, que nasceu de maneira respeitosa, como eu e o pai dela desejávamos. Corujices à parte, ela é muito mais do que poderíamos sonhar. Porém, uma coisa é clara: mesmo com o bebê mais sereno do mundo, os caminhos da maternidade nem sempre são planos. De vez em quando você tá lá, caminhando feliz, e vluft!, vem uma curva inesperada, ou então, ploft!, um caminhão te atropela com tudo. Então, nada mais justo do que compartilhar também por aqui o que não é tão legal assim.

O meu primeiro momento de “ei-,a-vida-de-mãe-não-é-só-passear-com-o-bebê-num-parque-lindo-e-arborizado-numa-bela-manhã-de-sol” está lá atrás e foi com o início da amamentação. Depois, veio a volta ao trabalho. E agora, veio, sem dúvida, o acontecimento mais complicado (Até agora, né? Porque isso é tipo Candy Crush: cada fase vai ficando mais difícil de passar): com muita dor no coração, venho aqui confessar: compramos uma lata de leite artificial. (AHHHHHHHHHHH! VONTADE DE ENFIAR A CARA NUM BURACO E DAR UM GRITO)

Doeu muito precisar fazer isso. Eu que sempre achei tão importante o aleitamento materno, eu que passei tanto tempo insistindo mesmo com seios rachados e sangrando para que minha filha tivesse o melhor alimento possível para a idade dela, eu que passei de detestar a hora de dar o peito a entende-la como um momento incrível, único de mãe e filha, um momento de vínculo, um gesto de amor… Eu que amo as mãozinhas dela acaraciando as minhas ou meu outro peito enquanto mama…. Eu que amo ver seu olhar de agradecimento enquanto ela se conecta a mim… Eu que amo o jeito que ela relaxa e cai no sono profundo toda noita grudada ao meu corpo…. Logo agora, com Marina a dois dias de completar seis meses de aleitamento materno exclusivo. Foi um momento muito triste aquele de ver o Luiz voltando para dentro do carro hoje de manhã no estacionamento da farmácia com aquele saquinho, com a latinha dentro. Lágrimas. Não pensava que ia ser um drama. Mas juro que é!

Bom, mas vamos fazer um miniflashback para eu explicar o que aconteceu. Como contei aqui há alguns dias, voltei a trabalhar há duas semanas. Fiz um estoque de leite materno, extraio todos os dias no trabalho, a noite e de manhã. Quando estou em casa, volto fazer a livre demanda – à noite, de manhã e aos finais de semana. Acontece que minha pequena está crescendo na velocidade da luz e, assim, ela demanda uma quantidade cada vez maior de leite. Com toda a logística que montamos para levá-la e buscá-la na casa da vovó todos os dias, tem ficado cada vez mais difícil descansar – o que é fundamental para produzir mais e mais. Tenho aumentado a quantidade de água que bebo durante o dia e apelei até para o Chá da Mamãe ( até que funciona, viu?), mas a quantidade que consigo ordenhar nem sempre é suficiente para ela, que é boazinha, mas vira uma leoazinha quando está com fome. É o único motivo que a faz chorar e esbravejar de verdade.

Teve um dia dessa semana que o leite que deixei com a minha mãe simplesmente acabou e ela completou a mamadeira com um tiquinho de leite de vaca. FIQUEI DE CABELO EM PÉ QUANDO EU SOUBE, mas, graças a Deus, ela não teve nenhuma reação. E entendi que foi a alternativa que tinha na hora. Foi com a melhor das intenções. Passou! Mas nesse dia, cheguei à triste conclusão de que precisaria deixar uma lata de fórmula com a vovó para esses casos de emergência.

O sentimento, de verdade, é aquela famosa culpa. Pensei que ela não me atingiria e que eu seria a única mãe do mundo imune a isso. Mas, quando eu menos esperava, ela veio e PAH! (post onomatopéico hoje), me estapeou na cara. Não consigo produzir alimento suficiente para a minha filha. Não consigo dar aquilo que ela tanto precisa e tanto ama. Não consigo ficar com ela e me dedicar para que ela cresça da melhor forma possível, com leite materno exclusivo. Vontade de largar tudo e ir morar numa caverna no meio do mato com ela pendurada no peito até quando quiser (olha a índia aí, minha gente). Mas não rola, né?

Espero, de verdade, que ela não precise dessa emergência. Logo, logo vamos começar a oferecer frutinhas e legumes para complementar a alimentação. Segura mais um pouquinho, filha. Que essa lata de leite em pó fique intacta. Que seja o dinheiro mais mal gasto do mundo. Que seja em vão. Que tenhamos comprado para não usar, que nem a gente faz com plano de saúde e seguro de carro. Que possamos doar para alguém que precise, sem nem abrir o lacre. Oremos!

P.S.: Quem tiver alguma dica para me ajudar, please, conte aqui nos comentários! Uma luz!

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9 opiniões sobre “Desabafo: culpa e tristeza dentro de uma lata de leite em pó

  1. Olá! Sempre leio seu blog mas quase nunca comento. Mas desta vez realmente tenho algo a contribuir.
    Estou lendo um livro maravilhoso, da Sônia Hirsch, já ouviu falar dela? O livro se chama “Mamãe eu quero, guia prático de alimentação para crianças de todas as idades”. Nele, nas páginas 11 e 12, ela dá uma receita de leite de cereais, para essas ocasiões. Transcrevo aqui pra vc, caso te ajude:
    “4 colheres de arroz integral
    2 colheres de arroz moti ou aveia em grão
    meia colher de trigo ou cevada
    meia colher de feijão azuki ou lentilha
    meia colher de gergelim claro
    4 partes de água para 1 de sólidos

    cozinhe em fogo bem baixo, durante 3 horas, com a panela tampada e de preferência grossa, de ferro então nem se fala: o leite levará consigo partículas de ferro para enriquecer o sangue. Mexa de vez em quando para não grudar no fundo. E sem nadinha de sal, que o sal contrai e atrapalha o crescimento do bebê.

    Pronto? Na superfície ficou a parte mais rala, que chamamos de leite. No fundo ficaram os grãos, bem molinhos: é a papa. Passando a papa na peneira, parece petisco dos deuses: é o creme. E o bagaço vc aproveita pra fazer pão, sopa ou bolinhos.

    Com o bebê de 6 meses você começa usando o leite com um pouquinho de creme (são as fibras, importantes para os intestinos)e uns pedaços de cenoura e chuchu, bem cozidos e peneirados. E nada de mamadeira, vá dando de colherinha para a coisa ter ar de novidade.”

    Bom, é isso. Eu achei a receita ótima, bem melhor que leite artificial, de vaca, para complementar.
    Espero que seja util!
    Boa sorte e fique tranquila, que logo tudo se ajeita.
    um beijo

  2. olá!!!
    sou mamãe de um lindo menino de 1 ano e 3 meses!
    Quando precisei voltar ao trabalho vivi diversos dramas parecidos e fiz algumas tentativas de inserir fórmulas acreditando que auxiliaria meu bebê, confesso que cheguei a dar um big copo para ele, mas tive a plena certeza que ele ficou empachado, com sensação de peso. E não dei mais. Fui investindo nos alimentos, (da terra mesmo), frutas, legumes, verduras, carnes, na minha ausência e quando chegava amamentava.
    Até que hoje, ele mama pela manhã antes de sairmos, à noite na hora de dormir e de madrugada em L.D. (o que é sempre uma só vez)
    E vou te contar, nunca, nunquinha eu tive leite para ordenha, só tenho o suficiente para a mamada! Nos primeiros meses após a licença eu podia almoçar em casa e amamentava nesse período, o que você poderia fazer com o pouco que está conseguindo armazenar, as outras refeições do dia suprirão sua ausência!
    É isso.
    Beijão e tudo de ótimo para vocês duas!

  3. Meu bem, eu , assim como você, vivo completamente dedicada a essa coisa da amamentação. Para mim também não foi nada fácil. Tive dificuldades físicas e emocionais inicialmente, depois a dieta APLV e mais outras coisitas, mas fui levando e consegui os seis meses exclusivos. Não podia nem pensar na palavra fórmula,embora tenha complementando na primeira semana de meu bebê, por falta de emponderamento.Enfim, hoje, caminhando para o sétimo mês, me vi como você, estocando uma latinha de fórmula no armário por conta do retorno ao trabalho e as chamadas emergências da falta de LM. Sei que é complicado, rezo para não usar, mas me vejo presa a uma realidade estafante e um pouco desleal que é a maternagem que eu sonhava praticar e que acredito ser a melhor para o meu filho e a maternagem que a vida moderna e as escolhas que fiz antes de ser mãe me impuseram.Sinto-me mesmo muito triste com essa possibilidade, mas preciso encarar que terei que lidar com esse fato, mais cedo ou mais tarde. Não porque estou com sono e quero mais horas de sono, ou porque acho que já deu de LM, mas porque a administração dessa nova etapa da vida ficou um pouco complicada. meu compromisso é fazer o máximo e o melhor para meu filho, mas não tenho garantias e a lata está lá, para me lembrar, que vez ou outra, eu vou “falhar”. Muito humano, né?!

  4. Super me identifiquei com esse post… apesar de ainda nao ter voltado ao trabalho, volto mes q vem, e falei para o pedi q ia estocar o leite, ele falou se vc conseguir super te apoio, mas qto mais ela vai precisar menos vc vai conseguir tirar, achei q fosse balela para ele me indicar a formula q financia esse medicos, a um mes de voltar a trabalhar, fui bem faceira para o primeiro dia de ordenha (manual), nao consegui nem trinta ml, frustração… resolvi comprar uma bomba eletrica (estou esperando chegar, comprei pela net), irei voltar como vc qdo a minha pequena estiver com 5m e meio, mas vamos la, to pensando em comprar ja uma lata pra deixar de “seguro”… hehehe.
    *ah, PARABENS pelo blog, muito gostoso de ler… bjos

  5. Na minha opinião vc nao devia dar leite arificial, ja devia comecar com alimentação complementar, é mais saudavel do q colocar essas coisas industrializadas no bebê. Ela ja está quase com 6 meses, assim sua mae consegue distrai la ate vc chegar. Bjosssss

  6. Olá! Também tenho 2. Uma menina de 3 e um menino de 1 ano. Ela mamou pouco e tive que complementar com leite artificial. Ele mamou muito, tive bastante leite ( e mais experiência ) para suportar as dificuldades da amamentação. Enfim… os dois são saudáveis e estão super bem. Esse lance é relativo. Embora a culpa venha bater à porta, a gente entende que nem tudo por ser como a gente quer. Infelizmente, faz parte da maternidade. Se existe a possibildade de amamentar ! Viva! Se existe o leite artificial para salvar a pátria! Viva também! rs bjs Camila Vaz

  7. Pingback: O sexto mês da Marina | Casa, cozinha e fralda trocada

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