A volta ao trabalho e o coração pequenininho, pequenininho

Foram 9 meses de gravidez e mais 5 meses e meio grudadas, como se fossemos uma só pessoa. Mas aí chegou o inevitável dia da separação. Depois de uma boa lambuja dos chefes, que estenderam minha licença por mais um mês, tive de voltar ao escritório. A dúvida babá ou escolinha felizmente não precisou de nenhuma das duas respostas: Marina foi ficar com a vovó, que se mudou do litoral para a capital – apesar de a minha mãe dar outras desculpas, desconfio muito de que pelo menos 90% da razão da mudança se deve à primeira netinha. Só isso já foi um alívio para o meu coração: a pequena ficaria sob os cuidados de alguém que a ama tanto quanto eu. Ela teria todo o carinho possível.

Esse meu coraçãozinho fica em casa, batendo fora do peito, todo dia.

Esse meu coraçãozinho fica em casa, batendo fora do peito, todo dia.

Então, começamos nossa nova rotina na segunda-feira, dia 6. A logística ficou a seguinte: saímos todos de casa às 7h e seguimos para o trabalho do Luiz, que fica a uns 10 km de casa. Depois, eu, que estava no banco de trás aproveitando todos os segundinhos para lamber um pouco mais a cria, pulo para a direção e sigo até a casa da vovó. Mais uns 5 km. Tomo café-da-manhã, dou mais tetê para a Marina (já dou um pouco antes de sair de casa, cedão), e volto tudo para o escritório, que fica perto de casa. De noite, repetimos a caravana da alegria. Vou lá, busco Marina, busco Luiz e voltamos para casa. Preparo o jantar, enquanto ele dá banho, mais tetê, tetê, tetê. E cama.

Puxado. Isso porque em janeiro a cidade tá mais vazia e nem o rodízio de carros tá valendo. Mas ainda acho que compensa, pelo fato de ela não precisar ficar na escolinha.

Drama
O primeiro dia, é claro, foi o mais difícil. Minha mãe resolveu até me dar um boi e veio buscar a Marina em casa. Como eu só entro no trabalho às 10h e trabalho bem pertinho de onde eu moro, pude passar mais tempo com ela, porque evitaria o trânsito. Acordei pensando superracionalmente: tudo bem, vou trabalhar, as pessoas são mães e trabalham. E não deixam de ser apegadas por isso. Está tudo ok. Vai dar tudo certo. Mas aí as horas foram passando e os minutos também e aqueles últimos minutinhos também e chegou a hora de colocar minha bebê – sim, aquela que estava literalmente grudada em mim há mais de um ano (contando gestação interna e externa) – na cadeirinha, no carro da minha mãe. Aí desabei. Chorei litros, me despedindo dela e indo logo embora em direção ao meu carro, antes que eu desistisse de tudo, agarrasse ela e pedisse demissão naquele momento. Fui chorando até metade do caminho, mas aí me recompus. A cabeça ficou martelando de saudade o dia inteiro.

Quando cheguei, eu não lembrava nem como ligar o computador. Juro. Só que no meu caso, nesse momento da minha vida, tenho a sorte de trabalhar rodeada por pessoas queridíssimas, que me deram uma força enoooorme, mesmo sem saber. Liguei para a minha mãe umas três vezes ao longo do dia. Fui bem vai? Ela me tranquilizava, dizendo que estava tudo bem. O problema é que na minha cabeça passavam milhões de pensamentos. E ainda passam. Será que ela vai esquecer que eu sou a mãe dela? Será que ela vai me amar menos? Será que vou perder todos os marcos de desenvolvimento? Não vou ver ela sentar? Não vou ver ela comer? Não vou ver ela falar mamãe pela primeira vez? (Ela já fala “mamamama”, mas não sei se se refere a mim ou a mamar/peito… Foi na sexta-feira anterior a minha volta ao trabalho! Uhuuuuu!)

No primeiro dia, meu chefe, também recém-papai, me perguntou se eu já tinha me encontrado como mãe. Respondi na lata que sim. O que eu preciso agora é me encontrar como mãe que trabalha fora. Acho que isso resume bem a fase que estou vivendo.

Aspectos práticos
No meio de toda a logística maluca que armamos, o mais complicado era o leite materno. Quero amamentar Marina exclusivamente até os 6 meses, que ela completa na próxima semana. Dias antes de voltar ao trabalho, eu já ordenhava com a bombinha elétrica que uma amiga me emprestou, para fazer o estoque. No primeiro dia, ela mamou MUITO. Eu tinha medo que ela não pegasse a mamadeira, mas a necessidade falou mais alto. Ela tomou três, cheinhas, 125 ml. (Eu sei que tinha que dar no copinho, mas ela não aceitou de jeito nenhum!). Quando eu cheguei foi mais peito até a hora de dormir. No trabalho, trago a bombinha e tento ordenhar umas duas vezes por dia. Mesmo assim, quase não venço a quantidade que ela está tomando, mas vou continuar tirando, para aumentar a produção. É importante tomar bastante água e dar o peito sempre que possível, além de ordenhar muitas vezes. O que tenho feito também é ordenhar enquanto ela mama. Ela em um peito e a bombinha no outro. Tenho impressão de que sai mais.

Meu pequeno estoque de leite materno. Ele vai se renovando e assim vamos mantendo a amamentação exclusiva até os seis meses da Marina, mesmo comigo fora de casa durante o dia.

Meu pequeno estoque de leite materno. Ele vai se renovando e assim vamos mantendo a amamentação exclusiva até os seis meses da Marina, mesmo comigo fora de casa durante o dia.

E na semana que vem começaremos a introduzir alimentos sólidos pelo método BLW (Baby-led weaning), sobre o qual certamente vou falar mais por aqui. O tema merece um post exclusivo. Vamos ver como vai ser.

Marina ainda adora mamar no peito (apesar de eu ter dado a bandida da mamadeira) e quero que ela continue assim por muito e muito tempo. Então, de manhã e a noite me dedico a dar o tetê dela, sempre que ela quer. E agora vai chegar o fim de semana, em que também ficaremos grudadinhas! Viva!

Em casa
Na semi-república em que vivemos (dividimos o apartamento com o irmão do Luiz e a namorada – beijo tio Paulinho, beijo tia Lumy!), minha função é cozinhar. Acontece que depois de ter passado o dia todo longe da Marina, o que menos quero é ficar à beira do fogão, apesar de adorar fazer isso. Então, o que estou tentando fazer é preparar a comida da semana antes e congelar tudo. Assim, só preciso fazer um arroz, uma salada, um suco para acompanhar. Nessa semana deu certo. Vamos ver como serão as próximas.

Em resumo, apesar da saudade diária, que quase me mata por dentro, do cansaço do trânsito e de sair do escritório como uma louca desvairada todos os dias, contando os minutos para ver minha pequenininha de novo, tudo está dando certo. Mais certo do que eu pensava.

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8 opiniões sobre “A volta ao trabalho e o coração pequenininho, pequenininho

  1. Não é fácil mesmo!Eu tb quando voltei a trabalhar(Bia já tinha 6 meses) pude ter minha mãe por perto,mas não aguentei 1 mês trabalhando o dia todo e logo pedi demissão do cargo de diretora para ficar como professora e trabalhar só meio período…aí eu fiquei no céu!Podia fazer as duas coisas que eu adorava que era: ficar com a Bia e dar aulas!
    Bjs
    #amigacomenta

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  7. Oie tudo bem,então no meu caso é diferente
    onde trabalho tenho direito de 4 meses de licença,
    mais peguei licença um mes antes de ganhar minha pequena,
    agora estou com 3 meses,ja se passaram 2 meses
    estou dando o NAN por conta propria,pra ela se acostumar com
    minha falta após o serviço,mais quero tirar o NAN,não por condições
    por medo mesmo,estou querendo ordenhar meu leite materno
    e dar a ela,porque tenho muito leito,e vasa a todo instante (mesmo com absolvente)
    o que faço e como faço?
    como tiro?e pode congelar e esquentar?

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