Os monstros da minha casa: crianças abusadas se expressam por meio de desenhos

O assunto de hoje é sério. Pensei mil vezes se deveria falar sobre o tema ou não. Isso porque quando me deparei com o link no Facebook fiquei perplexa, estarrecida, enojada e perdi o tantinho que me restava de fé na humanidade. Até me arrependi um pouco de ter clicado. Claro que o tema abuso sexual infantil já me revoltava antes, mas agora que tenho uma pequena em casa, acho que o sentimento de repulsa e o embrulho no estômago quando vejo alguma notícia sobre isso triplicou! Me senti tão mal, que não sabia se deveria passar meu sentimento para frente. Mas aí me toquei que temos a obrigação de saber que coisas terríveis assim existem e que podem estar bem debaixo dos nossos narizinhos. Sim, porque a maioria dos casos acontece com parentes ou conhecidos, com pessoas próximas, das quais nem desconfiamos. Temos a obrigação de prestar atenção nos sinais das crianças. Temos a obrigação de defender a inocência e de protegê-las de tudo. Assim, não adianta fechar os olhos e deixar a sujeira bem quietinha lá debaixo do tapete. É preciso escancarar a crueldade, saber que ela existe para, assim, ficar de olho e poder combate-la.

Vamos ao ponto. Trata-se de uma exposição polêmica realizada na Espanha em 2010, batizada de Os monstros da minha casa. Nela, foram exibidos desenhos como os que você vê abaixo, criados por crianças vítimas de abuso. Feitos e interpretados com a ajuda de psicólogos, eles mostram parte do que se passa na cabecinha de pequenos que tiveram a infância roubada por seres doentios e psicopatas, que nem sequer podem ser chamados de humanos. Pelo menos, em minha opinião. O sentimento é mais do que pena, é mais do que tristeza. É uma revolta imensa e sem fim. É uma descrença que me faz pensar: será que o mundo ainda tem jeito?

Andreu, 8 anos - Foi abusado pelo padrasto desde os 4 anos. No desenho ele representa ele mesmo em pânico, e dá atenção especial ao zíper da sua calça e os botões de sua camisa, que pra ele representam um símbolo de quando os atos sexuais iriam começar.

Andreu, 8 anos – Foi abusado pelo padrasto desde os 4 anos. No desenho, ele representa ele mesmo em pânico e dá atenção especial ao zíper da sua calça e os botões de sua camisa. Para ele, isso representa um símbolo de quando os atos sexuais iriam começar.

Miriam, 9 anos - Sofreu abuso psicológico. Sua mãe chegou na Espanha com 15 anos de idade e grávida dela. Ela era uma minoria racial por lá, e ela sofreu abusos dos colegas de classe por conta de sua etnia. Ela é a menor pessoa do desenho, que está envolvida com alguma coisa, representando sua solidão. No canto ela tinha escrito "me sinto sozinha" mas apagou porque tem vergonha disso.

Miriam, 9 anos – Sofreu abuso psicológico. Sua mãe chegou na Espanha com 15 anos de idade e grávida dela. Ela era uma minoria racial por lá e sofreu abusos dos colegas de classe por conta de sua etnia. Ela é a menor pessoa do desenho, que está envolvida com alguma coisa, representando sua solidão. No canto, ela tinha escrito “me sinto sozinha” mas apagou porque tem vergonha.

Fernando, 13 anos - Ele foi abusado pelo seu pai desde cedo, e agora mora com a mãe, que conseguiu fazer ele se recuperar bem. Ele desenhou o pai como um demônio em um bar, bebendo cerveja e jogando em caça-níqueis. Os riscos saindo do demônio representam o cheiro de álcool. Fernando sente raiva quando mencionam o pai perto dele.

Fernando, 13 anos – Ele foi abusado pelo seu pai desde cedo, e agora mora com a mãe, que conseguiu fazer ele se recuperar bem. Ele desenhou o pai como um demônio em um bar, bebendo cerveja e jogando em caça-níqueis. Os riscos saindo do demônio representam o cheiro de álcool. Fernando sente raiva quando mencionam o pai perto dele.

David, 8 anos - Ele sofreu abuso sexual. No desenho, ele destaca os olhos e o pênis do agressor. Ele escreve também "marica" e "chupa-rolas". O agressor falava isso enquanto o estuprava.

David, 8 anos – Ele sofreu abuso sexual. No desenho, ele destaca os olhos e o pênis do agressor. Ele escreve também “marica” e “chupa-rolas”. O agressor falava isso enquanto o estuprava.

monstro5

Joan, 8 anos – No desenho ele coloca o cara que o estuprou numa gaiola fechada com um cadeado. A chave (no canto superior direito) é protegida por espinhos para ninguém conseguir pegar.

Elena, 6 anos - Elena sofreu abusos sexuais do seu pai. Agora ela vive com a vó. No desenho, ela coloca sua avó e sua mãe bem grandes. Ela se sente protegida perto das duas. Ela também representa seu pai transando com ela, bem pequeno, em cima das letras.

Elena, 6 anos – Elena sofreu abusos sexuais do seu pai. Agora ela vive com a vó. No desenho, ela coloca sua avó e sua mãe bem grandes. Ela se sente protegida perto das duas. Ela também representa seu pai transando com ela, bem pequeno, em cima das letras.

Marina, 5 anos - Era abusada pelo pai, que também obrigava ela a assistir filmes pornô. No desenho, ela retrata um dos filmes que ela assistiu. Ela disse ao especialista que nesses filmes as pessoas "ficavam peladas e faziam coisa feia".

Marina, 5 anos – Era abusada pelo pai, que também obrigava ela a assistir filmes pornô. No desenho, ela retrata um dos filmes que ela assistiu. Ela disse ao especialista que nesses filmes as pessoas “ficavam peladas e faziam coisa feia”.

Isabel, 8 anos - Foi abusada sexualmente pelo pai. No desenho, ela retrata o momento do abuso. O pai a colocou sobre uma cadeira para penetrá-la por trás. Na parte superior da imagem, ela retrata o irmão mais novo dela, que viu tudo acontecer pela porta.

Isabel, 8 anos – Foi abusada sexualmente pelo pai. No desenho, ela retrata o momento do abuso. O pai a colocou sobre uma cadeira para penetrá-la por trás. Na parte superior da imagem, ela retrata o irmão mais novo dela, que viu tudo acontecer pela porta.

Toni, 6 anos - O especialista pediu pra ele desenhar o cara que abusou dele. Ele disse "é um monstro". Destacou o pênis ejaculando.

Toni, 6 anos – O especialista pediu pra ele desenhar o cara que abusou dele. Ele disse “é um monstro”. Destacou o pênis ejaculando.

monstro10

Ester, 9 anos – Ela desenhou a posição que tinha que ficar quando o seu pai abusava dela.

Andrea, 10 anos - Representou como eram os abusos: ela tinha que tocar o pênis do cara e ele tocava a vagina dela. Ela ficou com vergonha de responder às questões do psiquiatra e aceitou escreve-las no desenho. Por isso as palavras "sim" e "não" na imagem.

Andrea, 10 anos – Representou como eram os abusos: ela tinha que tocar o pênis do cara e ele tocava a vagina dela. Ela ficou com vergonha de responder às questões do psiquiatra e aceitou escreve-las no desenho. Por isso as palavras “sim” e “não” na imagem.

Victor, 7 anos - Ele era obrigado, aos 4 anos de idade, a fazer sexo oral no seu pai. A linha que sai da boca dele e vai até o pênis do pai representa a sua língua.

Victor, 7 anos – Ele era obrigado, aos 4 anos de idade, a fazer sexo oral no seu pai. A linha que sai da boca dele e vai até o pênis do pai representa a sua língua.

Via.

Anúncios

5 opiniões sobre “Os monstros da minha casa: crianças abusadas se expressam por meio de desenhos

  1. Pingback: Os monstros da minha casa: imagens e documentário sobre crianças abusadas | CONTI outra, artes e afins

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s