Bicho mãe se reconhece pelo cheiro – ou um por um clique

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Engraçado entrar nesse mundo da maternidade e mais engraçado ainda como nós, mães, criamos uma imediata empatia e nos reconhecemos facilmente ao menor contato, ainda que virtual. Outro dia, Marina resolveu que ia passar a noite em claro e não fechou seus lindos olhinhos até 4h30 da manhã. Entre uma tentativa e outra de fazer a pequena cair nos braços de Morfeu, peguei o celular para ver o que estava rolando no Facebook. Para desabafar meu cansaço e desespero, postei a seguinte frase: “Tá fácil, viu?”. E só. Mas foi o suficiente para minhas amigas que também são mães compreenderem o que estava acontecendo e me encherem de frases de consolo, dizendo que também já passaram por isso e dando dicas para ajudar.

Uma delas em especial, a Gabi, que estudou comigo no colégio e que eu não vejo há mais de dez anos, quase me fez chorar. Ela me mandou um inbox lindo, dizendo que se eu precisasse de qualquer coisa – inclusive de alguém para cozinhar ou até para limpar a casa em um momento de desespero – era só falar que ela daria um jeito de ajudar. Gente, sério, para uma recém-mãe, este é o presente mais lindo que você pode receber: alguém que compreenda quão difíceis são estes primeiros dias e que a ajuda prática e básica para tornar o dia a dia menos complicado é mais bem-vinda do que o macacão de bebê mais caro do mundo.

Virar mãe é tipo quando a gente apaga a luz do quarto de noite. Logo que a gente apaga, ficamos no breu total. Não dá para enxergar absolutamente nada. Mas aos poucos, os olhos vão se acostumando com a escuridão e você começa a enxergar aos poucos, até que consegue você consegue ver, mesmo com tudo apagado. O primeiro mês de vida do bebê é lindo, mas a mãe não enxerga nada, não sabe fazer nada e tudo parece muito, muito escuro. Aos poucos, as coisas vão clareando, você começa a perder o medo e, nas vezes em que não perde, vai com medo mesmo, mas vai.

E nesse processo todo, é muito bom se sentir amparada por outras pessoas que já passaram pelas mesmas situações.  Ajuda saber que outras mães também já se desesperaram por ver um cocô de uma cor diferente, que você não é a única que deixou o bebê afundar na água por um segundo durante o banho e que há outros seres humanos que choram mais que a criança na hora de dar vacina.

Também participo de vários grupos de mães no Facebook, o que é ótimo para trocar ideias, desabafar, tirar dúvidas e sentir que tem muito mais gente nesse mesmo barco. É tudo normal e tudo passa. Acompanhar blogs de maternidade, escrever o meu próprio e ler os comentários de vocês é outra válvula de escape. Devia ser muito mais difícil ser mãe antes da internet, apesar de a gente encontrar muita besteira na rede também. É preciso filtrar. Mães virtuais, #tamojunto.

Imagem: Pinterest

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11 opiniões sobre “Bicho mãe se reconhece pelo cheiro – ou um por um clique

  1. Oi Vanessa!

    Ah, que linda publicação! Que linda sua amiga, a Gabi! Sim, ler depoimentos de outras mães que passaram por essa etapa toda delicada dos primeiros meses conforta muito. Percebi o quanto as mães podem errar e ser imperfeitas quando me tornei uma. E aceitar as dificuldades como processo de amadurecimento individual fez uma diferença e tanto! Compartilhe sempre suas experiências. Vc vai poder ajudar diversas mulheres que demoram para enxergar nessa escuridão toda do novo, do desconhecido, como vc mesma definiu de modo tão poético, delicado e sensível. Beijos. Vc é incrivelmente talentosa! Parabéns pelo texto e pela encantadora Marina!!!!

    • Ah,Tarsila, que lindo seu comentário! Amei.
      Fico feliz que tenha gostado do texto. E pensar que tudo isso começou com um comentário besta no Facebook, né? Essas mães são terríveis.

      Beijos, beijos.

  2. Heim, Vanessa.. sinto o mesmo!!!
    Na minha gestação, ler os blogs me ajudou muito a fazer passar o tempo.. e depois, no retorno ao trabalho, ter o meu próprio e aprofundar as leituras em muitos outros blogs me ajudou a não surtar e querer sair correndo de volta para minha pequena.. (não que eu não tenha vontade ainda!)
    Essa solidariedade, que algumas vezes vem com dedos apontados, é o grande benefício dessa rede. Compartilhar dos sentimentos e das ideias nos ajudam e ajudam que esta do outro lado.. é uma válvula que faz dispensar o terapeuta!!!
    E viva a rede materna na internet!!!!
    Bj grande em vcs!

    • Com certeza, Martha. Fico pensando: como as mães de antigamente viviam sem internet? Muito bom poder trocar ideias e experiências pela rede. Assim, vemos que não estamos sós nesse barco.

      Beijos e obrigada pelo comentário.

  3. Olá Vanessa!
    Adorei a definição de mãe, do quarto escuro. É isso mesmo! Achei lindo o que você escreveu. Bem-vinda ao mundo materno! Nunca esqueci de uma frase que li num desses blogs maternos: “é preciso uma aldeia inteira para cuidar de uma criança.” Precisamos de presentinhos especiais como o que essa sua amiga gentil lhe ofereceu.
    Um dia desses, escrevi um post no meu blog dando dicas básicas de livros, sites e blogs para quem está começando. Depois, se você quiser, dá uma passadinha por lá.
    Beijos!!!
    Sílvia Fernanda
    http://cademeutempo.blogspot.com.br/2013/06/gravidez-planejada-x-gravidez-decidida.html

    • Oi, Silvia.

      Que bom que gostou do texto! Aos poucos, as coisas vão ficando mais fáceis. Na verdade, elas não ficam mais tranquilas. Nós é que vamos nos acostumando com a maternidade. Adorei seu post. Quero muito ler o livro da Laura Gutman.

      Beijos e obrigada pelo comentário.

      Vanessa

  4. Depois que nos tornamos nossa vida da uma virada de 360º, leva um tempinho até criarmos uma rotina, a famosa adaptação, depois vamos seguindo nos moldando. Que bom quando podemos contar com o apoio, a ajuda de pessoas queridas.
    Bjs
    #amigacomenta

  5. Ser mãe é isso pura incerteza!
    Nos primeiros meses tudo é mais intenso, cheio de adaptações. O engraçado é que no segundo filho isso não é tão intenso e não acredito q seja por experiencia não, pq cada bebe é um bebe e responde de maneira diferente ao mesmo comportamento seu. Mas, acho q é o fato da casa já ter uma dinamica mais infantil, principalmente quando a diferença entre as crianças é pequena como aqui 1 ano e 10 meses.
    Não estou fazendo campanha para um segundo kkk. A minha intensão é mostrar que essas sensações serão diferentes se houver um próximo.
    E ter alguem pra contar é tudo de bom!! Tem dia q só de não precisar decidir o cardápio do almoço já é uma dádiva! Kkk
    Bjs
    Mari
    #amigacomenta
    http://maricriando.blogspot.com.br

  6. Ser mãe as vezes não é tão fácil quanto parece, junto com a maternidade vem uma trouxa de amor e trabalhos extras. Uma ajuda não deve descartar. So que ser mãe vale muito muito apena.

    Um abraço,

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