As dores e as delícias de amamentar

Semana do Aleitamento Materno e eu, que estou em uma fase intensa com relação a esse assunto, não poderia deixar passar em branco. Estou adorando que esses dias sejam dedicados a isso porque a comemoração coincidiu com meu momento. Esses dias têm sido regados por posts, informações e reportagens com ótimas informações, reflexões e depoimentos. Sim, porque é sabendo das vantagens, dos benefícios, das dicas, e ouvindo outros pontos de vista e experiência de outras mulheres é que eu ganho forças para continuar e para aprimorar cada vez mais esse momento que é só meu e da Marina. Porque não, não é fácil. Aliás, ultimamente tenho dito uma frase que pode assustar, mas que, pelo menos para mim, faz sentido: parto natural sem anestesia é fácil; difícil é amamentar.

Quando a gente vê as fotos de famosas lindas oferecendo o peito a seus bebês em propagandas, nas novelas ou nos filmes, parece tudo lindo, maravilhoso. E é! O que eu não sabia é que até chegar nesse ponto, tem chão. Um chãozinho cheio de desníveis, obstáculos e pedrinhas no caminho. Não quero aqui assustar as mães, nem nada, só quero compartilhar a minha experiência que, tenho certeza, deve ser parecida com a de muitas outras por aí.

Assim que a Marina nasceu, como contei aqui, ela foi colocada no meu peito para mamar. Incrível como aquele serzinho daquele tamanho, que acabara de chegar ao mundo, já tinha instinto para procurar o peito e sugar. Pensei: “Gente, que lindo. Amamentar é isso! Tá fácil!”. O que eu não sabia era que aquilo se tornaria motivo de sangue e lágrimas nos próximos dias.

Eu e a Marina aprendendo a arte da amamentação, ainda na casa de parto.

Eu e a Marina aprendendo a arte da amamentação, ainda na casa de parto.

A pequena mama em Livre Demanda, que consiste em dar o peito sempre que ela quiser, por quanto tempo ela quiser, em vez de ficar controlando as mamadas no relógio, de 3 em 3 horas ou sei lá. Afinal, minha filha não é um relógio. Até aí, lindo. Só que depois de alguns dias, a frequência e a força das mamadas foi aumentando e Marina pegava apenas o bico. Isso me deixou com os peitos rachados, quebrados, estourados, sangrando. Isso (junto de um tantinho do famoso baby blues, sobre o qual pretendo falar mais aqui em breve) me fazia chorar e gritar desesperadamente no meio das primeiras madrugadas. Eu mordia os lábios, apertava o travesseiro. Isso me fazia pensar: “Gente, não pode ser. Dá uma mamadeira pra essa criança porque eu não aguento”. Teve uma noite em que eu me assustei porque conforme Marina mamava, vi um pouco de sangue escorrendo de sua boquinha. Fiquei em pânico, achando que ela poderia estar machucada, mas depois descobri que o sangue era meu!

PUNK!

Ao mesmo tempo em que eu achava tudo tão difícil, eu sabia que o leite materno era essencial para a minha filha. Eu sabia que aquilo não poderia ser assim para sempre. Eu sabia que não podia desistir. Comecei a pesquisar na internet, a assistir a vídeos para aprender a pega correta, que machuca menos, comecei a ler os depoimentos de outras mães e entrei em grupos que falam do assunto em redes sociais (GVA, eu te amo. E não desisti!

Comecei a passar o próprio leite nos bicos porque ele tem poder de cicatrização (mais essa vantagem! O líquido é mágico, minha gente!), quando dava, deixava os seios descobertos para ventilar e confesso que por umas duas vezes passei uma pomadinha de lanolina. Mas essa última é um saco, porque precisa lavar o peito com água e sabão antes de oferecer ao bebê e, com o frio que fez aqui em São Paulo nas últimas semanas, não era algo muito agradável. Mas ajudou também.

Com a pega certinha e com essas medidas a coisa já melhorou tipo 90%. Ainda dói na hora em que a Marina coloca a boca no peito e começa a sugar. Mas só por alguns segundos. Depois passa e eu consigo aproveitar esse momento. É bom saber que nós duas juntas estamos aprendendo, estamos superando, estamos estreitando cada vez mais nosso vínculo através de um alimento que, além de ser o mais saudável do mundo, ainda é de graça, está sempre pronto e quentinho, ao alcance.

Marina tem só 15 dias e eu ainda não sou ninguém para dar conselhos a outras mães. Faço um monte de besteiras e estou apenas no começo da jornada. Ainda assim, se eu pudesse deixar algum conselho para as mulheres que estão passando ou que ainda vão passar por isso, eu diria: se informe muito, tire vantagem do seu próprio leite como cicatrizante, deixe os seios ao ar livre e, acima de tudo, NÃO DESISTA! É um desafio, às vezes dói, cansa acordar de madrugada e ficar disponível para o bebê 24 horas por dia. Mas NÃO DESISTA. Não deixe ninguém te dizer que você não tem leite, que seus seios são pequenos, que o bebê está com fome, que seu leite é fraco. Nada disso existe. Seu leite é único, exclusivo e produzido especialmente para suprir as necessidades do seu bebê, que também é único.

Costumo pensar que apesar das dores e das dificuldades, um dia vou olhar para trás e sentir saudades desses minutos de puro amor e prazer entre nós duas.

NÃO DESISTA.

Primeira mamada de Marina, logo após o parto. Créditos da foto à doula querida Dani Ichikura.

Primeira mamada de Marina, logo após o parto. Créditos da foto à doula querida Dani Ichikura.

 

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8 opiniões sobre “As dores e as delícias de amamentar

  1. Brilhante, Van! Todas as futuras mamães deveriam ler isso! No segundo, vc não vai ter nenhum problema, vai tirar de letra de prima! Beijo grande pra vc.

  2. Morro de saudade sabia?!!! E eu fui privilegiada e não sabia, não tive mta rachadura, meu maior “empecilho” era o excesso de leite! Meu Deus como vazava!!!!! Boa sorte com a bebezinha!!!

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