10 razões para se encantar com o pré-natal humanizado

Publiquei esse texto no Minha Mãe Que Disse e agora deixo aqui, para quem ainda não leu. Nesta semana senti bem na pele essa comparação entre o pré-natal comum e o humanizado. Só posso agradecer por ter começado a pesquisar e por ter descoberto esse santo lugar que é a Casa Ângela (Sei que parece até que sou paga para fazer propaganda, de tão bem que eu falo de lá, mas gente… minha gravidez se dividem em duas fases: Antes da Casa Ângela e Depois da Casa Ângela. Sério. Seríssimo!)

A Casa Ângela é mesmo um lugar de anjos...

A Casa Ângela é mesmo um lugar de anjos…

Assim que descobri minha gravidez, corri para marcar a primeira consulta com a médica que é minha ginecologista desde, sei lá, os meus treze anos de idade. Anotei todas as minhas dúvidas. Pensei que seria uma consulta calorosa, demorada, cheia de conversas…. Que nada. Durou os mesmos 20 minutos de sempre. Umas perguntinhas aqui, umas acolá, uma lista de exames para fazer e pronto. Pode ir embora. Eu saí e pensei que eu é que tinha criado expectativas. Aquilo era o normal. Ok… E assim se seguiram todas as outras consultas. Uma vez por mês, alguns exames, peso, medida da pressão e fim. Nenhum exame ginecológico, nenhuma explicação mais profunda, nenhuma conversa sobre amamentação ou sobre a vida do bebê.

Até que eu comecei a me envolver na blogosfera materna, a ler muito, a pesquisar, a descobrir assuntos como violência obstétrica e, por esse caminho, acabei fascinada pelo parto humanizado. Assim, descobri um lugar fantástico em São Paulo, chamado Casa Ângela, uma casa de parto localizada bem perto de onde eu moro, na zona sul. Fundado pela parteira alemã Ângela Gehrke, o espaço atende gestantes carentes da região de graça e cobra um preço simbólico para mães que vêm de outros lugares.

Fui até lá e me encantei. Decidi na hora: é aqui que eu quero que minha filha venha ao mundo. E agora, às 30 semanas de gestação, fiz a primeira consulta pré-natal por lá. Só aí entendi o verdadeira sentido da palavra “humanizada”. É outro mundo! E lá fomos eu e marido conversar com a enfermeira obstetra. Só para dar uma ideia, vou listar aqui os pontos que me deixaram mais boba, no melhor sentido da palavra:

1) Entramos na casa, superbonitinha, aconchegante e iluminada pela luz natural do sol, e já demos de cara com uma mesa forrada com toalhinha xadrez, coberta com um bolo de fubá, um suco de manga e várias frutinhas. Amor.

2) A técnica de enfermagem me pesou, mediu minha altura, mediu minha pressão, fez uma série de perguntas prévias. Na verdade, a pré-consulta era mais ou menos o que foram todas as minhas consultas pré-natais com a obstetra tradicional. Só que de uma forma muito mais carinhosa. E com bolo e suco de manga antes, o que muda tudo.

3) A consulta estava marcada para as 9 horas. Entramos na sala da enfermeira obstetra e conversamos animadamente por muito tempo. Eu imaginava que havia se passado uma meia hora. Mas quando fui olhar no relógio, quase caí de costas. Era 11h30! A conversa durou duas horas e meia e a gente nem percebeu, de tão bacana que foi.

4) Camila, a enfermeira, fez um milhão de perguntas sobre a história da bebê, sobre como estávamos vivendo aquele momento, sobre o histórico de saúde das duas famílias, viu todos os exames que eu havia feito anteriormente, um por um, me explicou o que significava cada fotinho do ultrassom… Ela me disse até que o ovário que forneceu o óvulo fecundado, que deu origem ao bebê, foi o do lado direito! Não que isso vá mudar minha vida, mas mesmo assim, é interessante saber.

5) Nas minhas consultas tradicionais, o Luiz, meu marido, só conseguiu ir umas duas vezes. Nas duas, parecia que ele não existia. Ficou sentado, só ouvindo a médica se direcionar a mim, quase mecanicamente. Já na casa de parto, a história mudou. Camila fazia questão de incluí-lo em todos os detalhes, de perguntar a opinião dele, de elogiar a postura dele, de fazê-lo participar mesmo de toda a história. Ela disse até que o fato de eu não ter tido nenhum enjôozinho sequer durante toda a gravidez tem a ver com o fato de ele ser um ótimo parceiro. De acordo com ela, os enjôos podem aumentar quando a mulher se sente insegura, indefesa e o fator emocional está completamente ligado a isso – embora, é claro, não seja a única causa. Não preciso nem dizer que ele ficou se achando com essa parte, né?

6) Marina, minha bebêzinha que ainda está lá dentro, também foi incluída na conversa. Camila fez questão de perguntar o nome que planejamos dar, escreveu na ficha e passou a consulta inteira se referindo a ela pelo nome. Antes de examinar minha barriga, ela avisou a Marina que estávamos ali para chegar pertinho dela, saber como ela estava se sentindo… Pode parecer besteira para muita gente, mas para uma grávida com os hormônios à flor da pele, fez toda a diferença. Quase chorei de emoção. Sério.

7) A enfermeira examinou os seios, a barriga, ouvimos o coração da neném, fizemos exame ginecológico… E antes de encostar em mim para qualquer coisa, Camila me explicava o que iria fazer. Gente, ela até esquentou as mãos para eu não sentir frio antes de tocar minha pele.

8) Tranquilidade. A palavra resume o que eu senti quando saí de lá. Me senti à vontade para fazer até as perguntas mais bobas. Camila me respondia com afeto, com carinho, me acalmava e me fazia olhar positivamente para todos os detalhes da gestação.

9) Eu, a louca do ultrassom, comentei com a enfermeira que, se pudesse, faria esse exame todo dia, só para poder olhar para a carinha da Marina todos os dias. Camila me explicou que a gente não precisa de uma máquina para isso. Que o bebê está dentro da gente. É só parar por um tempinho, olhar para dentro, pensar, imaginar, sentir aquele serzinho em formação ali na barriga. Ela também me disse que o ultrassom não faz mal para o bebê, mas que é como se ele estivesse dentro de um quarto escurinho, quietinho e viesse alguém e abrisse a porta com tudo, escancarasse as janelas, começasse a falar alto e a querer saber o que estava acontecendo. Uma invasão, não é? Aprendi que o exame é, sim, muito importante em alguns momentos, mas que não pode ser feito de maneira superficial.

10) Depois de fazer os exames levantei da maca como tenho levantado da cama todos os dias: parecendo uma senhora de 85 anos com dor nas costas. Camila me contou que as gestantes em pré-natal também podem participar de um grupo de fisioterapia e ainda marcar massagem. Sem pagar nada a mais por isso! Ah, eles também oferecem cursos sobre parto e cuidados com o bebê para mães e acompanhantes.

Sim. Era isso o que eu esperava de uma consulta pré-natal. Por um instante, eu pensei que não existia. Que alívio saber que alguém se importa.

Foto: Pinterest

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3 opiniões sobre “10 razões para se encantar com o pré-natal humanizado

  1. Nossa, achei muito interessante e emocionante, num tempo em que o dito “tempo” é dinheiro. Nessa fase de gestação, carinho e atenção é tudo de bom. Parabéns a Casa Ângela.

  2. Adorei, que legal esse lugar, aqui na minha regiao nao tem casas de parto, estou de 29 semanas e super sensivel, esse atendimento deve ser maravilhoso mesmo!!! Aproveita e parabens pela iniciativa…bjos

  3. Oi Vanessa! Acabo de conhecer o teu blog e adorei. Sou nova na blogagem materna e amei esse seu texto. Passei por isso também, troquei de obstetra com 22 semanas e me senti exatamente como você descreveu com meu primeiro médico, parecia que a minha alegria não era compatível com as visitas que fazia para o pré natal.
    Ainda bem que consegui mudar a tempo e hoje em dia tô muito segura e contente com a decisão que tomei. Espero escrever mais sobre isso em seguida.
    Vou seguir te acompanhando por aqui! Boa hora pra você e pra pequena Marina!

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