A tal da violência obstétrica

Cortes, dilacerações, abandono, alguém que te obriga a fazer o que você não quer, alguém que aponta o dedo no seu rosto e ri da sua dor, se separar forçadamente do ser que você mais ama e confia em uma das situações mais frágeis da sua existência, desprezo, chacota. Parece um filme de drama ou de terror, mas, para muitas mulheres tudo isso faz parte de um momento que deveria ser sublime e feliz: o parto. Para ser mais exata, uma entre quatro mães passa por isso. É o retrato da chamada violência obstétrica, uma realidade mais frequente do que pensamos. Há até quem passe por ela sabendo que aquilo não está certo, mas sem saber exatamente o que está vivendo. Tenho lido muito sobre o assunto e confesso que a realidade é chocante. Ainda bem que existem pessoas focadas em disseminar a informação e, assim, deixar pais e mães alertas e conscientes para evitar que o nascimento de seus bebês seja transformado em um trauma por aqueles que são chamados de “profissionais”. Escrevo aqui sem a certeza de que eu mesma não vá viver algo parecido dentro de alguns meses. Por enquanto, o que posso fazer é me munir de conhecimento e reunir tudo o que tenho direito para me preparar. Quem sabe assim, minha filha possa entrar nesse mundão com um pouco mais de sensibilidade.

carlaraiter.com/1em4

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Ainda vou voltar muito nesse assunto que ronda dia e noite pela minha cabeça, mas por enquanto, quero compartilhar o projeto 1:4, da fotógrafa Carla Raiter, mãe de Gael, de 2 anos, e da produtora cultural Caroline Ferreira, mãe de Luísa, de 11. Gael chegou ao mundo por meio de um parto respeitoso e humano. Luísa não teve a mesma sorte. Essas duas mulheres se uniram e criaram uma galeria fotográfica para divulgar esse grande lado triste do cenário obstétrico brasileiro. A partir de fotos, elas pretendem ” materializar as marcas invisíveis deixadas por esse tipo de violência e trazer à luz uma reflexão sobre a condição do nascimento no Brasil e as intervenções desnecessárias que ocorrem no momento do parto”. Para saber mais, visite o site do 1:4 – Retratos da violência obstétrica.

Aqui, algumas das imagens com depoimentos que integram o trabalho de Carla e Caroline. Vale a pena ler e refletir.

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